Lula critica guerra dos EUA e Israel contra Irã e diz que "ninguém pode achar que é o dono do mundo"
Presidente defende a autodeterminação dos povos, condena escalada belicista de Donald Trump e alerta para impactos globais do conflito no Oriente Médio
247 - Em meio à escalada da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o presidente Lula (PT) defendeu, nesta quinta-feira (19), a autodeterminação dos povos e criticou a posição belicista do presidente dos Estado Unidos, Donald Trump. "Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo, tá? Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos. Nós temos que aprender a respeitar a integridade territorial dos países”, disse Lula durante evento em São Paulo.
“A gente não pode ter alguém achando que é dono do mundo e levanta de manhã: 'Eu vou tomar a Groenlândia, eu vou tomar o canal do Panamá, eu vou tomar Cuba, eu vou tomar Venezuela'. Não é possível. Não é possível. O mundo precisa de paz e não de guerra. O mundo precisa de educação e não de guerra. O mundo precisa de comida e não de guerra", completou.
Na quarta-feira (18), lula já havia abordado o tema ao comentar, durante cerimônia de entrega do 3º Prêmio Mulheres das Águas, ao comentar o impacto da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Vocês já se deram conta que os tiros que o Trump deu no Irã estão fazendo o óleo diesel aumentar no mundo inteiro? No mundo inteiro", disse o presidente.
"E nós, aqui, que não temos nada a ver com isso, que estamos a 14 mil km do Irã, que estamos longe do Líbano, que estamos longe de Israel, por que nós temos que pagar o preço do combustível?", questionou. Lula também creditou a atual conjuntura à "irresponsabilidade" dos Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido,países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU:
"Eles decidiram que são donos do mundo. E resolveram atacar o que eles quiserem. E esse prejuízo está vitimando quem? Pense quem é que vai ser vítima disso?", ressaltou. "A vítima disso, outra vez, seremos os trabalhadores do mundo e os pobres do mundo. Porque toda desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não têm nada a ver com isso", destacou mais à frente.


