'Jogam contra o Brasil e incentivam a greve dos caminhoneiros', diz Lindbergh ao criticar apoio bolsonarista à guerra contra Irã
Parlamentar aponta interferência estrangeira na mobilização dos caminhoneiros e apoio bolsonarista à guerra que tem aumentado o preço dos combustíveis
247 - O fechamento do Estreito de Ormuz — corredor estratégico por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no planeta — empurrou o barril da commodity para além dos US$ 100 e acendeu um alerta no Brasil: caminhoneiros ameaçam decretar greve nacional diante da disparada dos combustíveis. Foi nesse cenário que o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) lançou, nesta quarta-feira (18), uma acusação direta: segundo o parlamentar, os Estados Unidos e o governo de Israel estão por trás da mobilização da categoria. De acordo com o deputado do PT, setores alinhados a Jair Bolsonaro (PL) estariam se valendo da crise para pressionar politicamente o atual governo federal.
"Trump e Israel iniciam uma guerra insana e injustificada contra o Irã. O resultado? Aumento do petróleo no mundo todo. O que os bolsonaristas que apoiam Trump e Israel fazem? Culpam o Lula e jogam de novo contra o Brasil ao incentivar greve de caminhoneiros", escreveu o parlamentar na rede social X.
Na mesma publicação, Lindbergh foi além e direcionou críticas à postura de aliados domésticos do governo estadunidense. Segundo ele, esses grupos "não têm vergonha de serem tão subservientes e de quererem o Brasil colônia" da administração de Washington — frase que sintetiza sua leitura sobre o alinhamento político entre bolsonaristas brasileiros e a agenda externa dos Estados Unidos e de Israel.
"Vocês bolsonaristas estão estimulando uma greve de caminhoneiros neste momento. Vocês com este apoio à agressão norte-americana no Irã, estão na verdade reforçando a tese do descontrole dos combustíveis porque vocês trabalham para o caos", acrescentou Lindbergh.
O contexto: petróleo acima de US$ 100 e ameaça de paralisação
A ameaça de greve dos caminhoneiros se insere num quadro de pressão crescente sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Com o barril de petróleo superando a marca dos US$ 100 em razão do bloqueio do Estreito de Ormuz — consequência direta da ofensiva militar americana contra o Irã —, o valor repassado nas bombas tem gerado insatisfação no setor de transporte rodoviário de cargas, historicamente sensível às oscilações do diesel.
O governo federal já reagiu à crise com duas medidas anunciadas pelo presidente Lula: um decreto que zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel, e uma medida provisória que viabiliza subsídios diretos a produtores e importadores do combustível. Juntas, as iniciativas — válidas até 31 de dezembro — podem reduzir o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro, segundo estimativa do Ministério da Fazenda.
Greve dos caminhoneiros como termômetro político
A possível paralisação dos caminhoneiros tem peso político que vai além da questão econômica. O setor protagonizou uma greve de grande impacto em 2018, durante o governo Michel Temer, e qualquer movimento semelhante tende a ser lido como um termômetro da popularidade e da capacidade de gestão do presidente da República.
Ao associar a mobilização da categoria a uma articulação política orquestrada por forças externas e por opositores domésticos, Lindbergh Farias busca reposicionar o debate: em vez de uma crise de governança, o deputado apresenta o cenário como um ataque coordenado contra o Brasil — com os caminhoneiros sendo instrumentalizados num jogo que, segundo ele, serve aos interesses de Washington e de Tel Aviv, não aos do país.
O conflito no Oriente Médio
Os EUA e as forças de Israel iniciaram os ataques em 28 de fevereiro. Os dois países acusaram o Irã de implementar medidas para o desenvolvimento de bomba nuclear. Mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que, segundo inspetores da ONU, não foram encontradas provas de que o Irã esteja conduzindo um programa coordenado para desenvolver armas nucleares.
Mais de 2 mil mortes registradas no Irã e em países vizinhos do Oriente Médio. Esse é o balanço do conflito deflagrado em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva militar contra o território iraniano. Washington fundamentou a operação na afirmação de que Teerã estaria desenvolvendo armamentos nucleares — alegação que a Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou, negando que o Irã tivesse essa pretensão.

