Governo Trump deporta ao menos 15 imigrantes latino-americanos para o Congo
Entre os deportados, estão pelo menos sete peruanos e três equatorianos; grupo foi inicialmente recebido em Kinshasa
247 - Pelo menos 15 imigrantes latino-americanos foram deportados pelos Estados Unidos na semana passada para a República Democrática do Congo. A expulsão ocorre em meio a um acordo migratório firmado pela administração do presidente Donald Trump. As informações são da CNN Brasil.
De acordo com o Instituto de Pesquisa sobre Direitos Humanos (IRDH), organização com sede na RDC, um grupo inicial de cerca de 45 solicitantes de asilo chegou a Kinshasa em um voo partindo do estado da Louisiana. A maioria dos deportados seria formada por cidadãos latino-americanos.
Entre os 15 imigrantes confirmados posteriormente, estão pelo menos sete peruanos e três equatorianos, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores do Peru e do Equador. Autoridades colombianas também indicaram a possível presença de cidadãos do país, embora ainda estivessem verificando os dados.
Recepção e transferência
O governo da República Democrática do Congo informou que o grupo foi inicialmente recebido em Kinshasa e depois transferido para um complexo hoteleiro próximo ao Aeroporto N'djili, onde permanece sob supervisão da Polícia Nacional Congolesa.
O governo do presidente Félix Tshisekedi afirmou que o mecanismo adotado é "estritamente transitório, temporário e com prazo determinado", rejeitando interpretações de que o país estaria promovendo reassentamento permanente dos deportados.
Posição dos países de origem
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru, a transferência dos sete cidadãos peruanos ocorreu dentro de um acordo que prevê acolhimento temporário enquanto seus pedidos de asilo são processados nos Estados Unidos.
"Esse benefício é concedido a estrangeiros que possuem proteção legal concedida por juízes de imigração dos EUA. Geralmente é utilizado quando os solicitantes alegam que suas vidas estariam em perigo se fossem devolvidos aos seus países de origem", informou o governo peruano em comunicado.
No caso do Equador, o Ministério das Relações Exteriores confirmou inicialmente um deportado e depois atualizou para três cidadãos, que estariam em "situação migratória regular" na RDC. Segundo o órgão, os imigrantes estão hospedados em um hotel e em boas condições.
"O Ministério das Relações Exteriores foi informado de que os cidadãos equatorianos encontram-se em situação migratória regular naquele país, hospedados em um hotel e em boas condições, de acordo com informações fornecidas pelas autoridades competentes do Congo", diz nota oficial.
A diplomacia equatoriana acrescentou que serão realizadas entrevistas individuais para que os deportados possam decidir se desejam retornar ao país de origem. O retorno voluntário só será ativado mediante solicitação expressa.
Em um dos casos relatados, o governo equatoriano informou que o pedido de asilo do cidadão nos Estados Unidos foi negado, e que ele solicitou a um juiz de imigração que não fosse devolvido ao Equador. O pedido foi aceito dentro de mecanismos de proteção previstos em instrumentos internacionais.
Estratégia de "terceiros países"
A política se insere na estratégia de "terceiros países" adotada pelos Estados Unidos sob o governo Trump, que prevê o envio de imigrantes deportados para nações que aceitam recebê-los, mesmo sem vínculo direto com os envolvidos.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou, em comunicado, que o governo "está usando todas as opções legais para realizar a maior operação de deportação da história".
Organizações de direitos humanos têm criticado o modelo, alegando falta de garantias adequadas aos solicitantes de asilo e questionando a legalidade e a segurança das transferências internacionais.


