Grupo de trabalho entre Brasil e EUA sobre tarifas deve ter negociações prorrogadas até julho
Governo Lula busca reverter sobretaxas impostas pelos Estados Unidos enquanto negociações bilaterais ganham novo prazo
247 - O grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos para discutir as tarifas comerciais impostas pelos norte-americanos deve continuar em atividade por pelo menos mais um mês. A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que relata a decisão de estender as negociações diante da ausência de avanços significativos nas últimas semanas.
O mecanismo de diálogo foi estabelecido no início de maio, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, com o objetivo de buscar soluções para as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Inicialmente, o grupo teria duração de 30 dias, com encerramento previsto para este domingo (7), mas o prazo deverá ser ampliado.
A extensão das conversas ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre os dois países. Enquanto o Brasil tenta reverter as tarifas já em vigor, os Estados Unidos avançaram com uma nova recomendação de sobretaxação contra produtos brasileiros. A medida está baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana, utilizada para investigar práticas consideradas anticoncorrenciais.
A nova ameaça tarifária prevê uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinadas exportações brasileiras. O governo brasileiro já enfrenta os efeitos de uma tarifa global de 10% aplicada pelos Estados Unidos desde o ano passado e agora concentra esforços para evitar também a implementação desse novo pacote de restrições comerciais.
Segundo integrantes do governo, o prazo de 15 de julho passou a ser considerado uma referência para tentar alcançar algum entendimento capaz de reverter ao menos parte das medidas anunciadas por Washington. Há ainda preocupação com uma terceira frente de pressão comercial por parte dos Estados Unidos, relacionada à possibilidade de sobretaxar exportações em 12,5% sob alegações ligadas ao uso de trabalho forçado.
Pelo lado brasileiro, o grupo de trabalho é coordenado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Representantes do Ministério das Relações Exteriores também participam das negociações.
A estratégia do governo brasileiro tem sido destacar que os Estados Unidos registram superávit na balança comercial bilateral, argumento utilizado para contestar a justificativa das barreiras tarifárias. Além disso, o Brasil não descarta discutir outros temas de interesse dos norte-americanos, como o acesso a terras raras e questões envolvendo o mercado de etanol, caso esses assuntos sejam formalmente apresentados durante as tratativas.
Apesar da nova previsão de funcionamento até julho, integrantes do governo avaliam que as negociações poderão se estender por um período ainda maior. De acordo com fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo, autoridades norte-americanas demonstraram disposição para manter o diálogo aberto.
Um dos sinais dessa disposição teria sido a manifestação do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ao chanceler brasileiro Mauro Vieira, indicando interesse na continuidade das conversas entre os dois governos em busca de uma solução para o impasse tarifário.



