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Guerra contra o Irã se prolonga e contraria todas as expectativas de Trump

Guerra prevista como rápida pela Casa Branca se mostra mais complexa, enquanto temores sobre o Estreito de Ormuz pressionam mercados de energia

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã está se revelando mais longa e complexa do que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu inicialmente. 

A Casa Branca esperava uma campanha militar breve, com impacto decisivo sobre a liderança iraniana, mas o desenrolar da guerra tem contrariado essas expectativas.

As avaliações foram apresentadas pelo correspondente-chefe de diplomacia europeia do The New York Times, Steven Erlanger, em entrevista à Al Jazeera, que destacou as dificuldades estratégicas enfrentadas por Washington à medida que o confronto se prolonga.

Alertas militares 

Segundo Erlanger, autoridades militares de alto escalão já haviam advertido o governo norte-americano sobre a possibilidade de um conflito difícil e duradouro. Entre os alertas mencionados estava o risco de desgaste logístico e militar para os Estados Unidos.

De acordo com o jornalista, um dos avisos veio diretamente da chefia das Forças Armadas. “Ele foi advertido pelo general Cain, chefe das Forças Armadas, de que esta poderia ser uma guerra muito difícil e longa, que colocaria à prova o estoque de interceptadores dos Estados Unidos”, afirmou Erlanger.

Apesar dessas advertências, a avaliação predominante na Casa Branca foi a de que a guerra seria resolvida rapidamente. “Acho que esperavam uma guerra curta, para ser honesto. Não creio que esperassem que durasse tanto tempo”, disse.

Impactos no mercado de energia

À medida que a guerra se prolonga, os reflexos começam a atingir também os mercados globais de energia. Investidores e governos acompanham com preocupação a possibilidade de instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte de petróleo no mundo.

Erlanger apontou que o governo dos Estados Unidos pode não ter considerado plenamente o impacto geopolítico de uma eventual interrupção nessa passagem marítima crucial.

“Não creio que tenham refletido completamente sobre o fechamento do Estreito de Ormuz”, afirmou o correspondente.

Expectativa falsa sobre o Irã

Outro erro da estratégia inicial de Washington era a de que a pressão militar poderia rapidamente enfraquecer a liderança iraniana e abrir caminho para negociações políticas.

Segundo Erlanger, havia a percepção de que a guerra poderia acelerar mudanças internas no Irã, criando condições para um acordo diplomático.

No entanto, com o prolongamento dos ataques militares e o aumento das tensões regionais, analistas indicam que o cenário se tornou mais incerto, com riscos crescentes de impacto econômico e geopolítico em escala internacional.

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