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Guerra de Trump no Irã iguala rejeição do Iraque e do Vietnã, diz pesquisa

Levantamento Washington Post-ABC-Ipsos aponta que maioria dos americanos vê ação militar como erro e teme recessão, terrorismo e desgaste com aliados

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - A guerra de Trump no Irã entrou em uma zona de forte desgaste político nos Estados Unidos: levantamento Washington Post-ABC News-Ipsos mostra que 61% dos adultos americanos consideram um erro o uso de força militar contra o país, enquanto a maioria também associa a ação militar a riscos maiores de recessão e terrorismo. A informação foi publicada pelo The Washington Post nesta sexta-feira (1º).

Segundo o The Washington Post, a rejeição à campanha militar no Irã chegou a níveis comparáveis aos registrados nos Estados Unidos durante os períodos de forte impopularidade das guerras do Iraque, em 2006, e do Vietnã, no início dos anos 1970. O levantamento ouviu 2.560 adultos americanos e tem margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra.

Os números indicam que apenas 36% dos entrevistados avaliam como correta a decisão dos Estados Unidos de usar força militar contra o Irã. Outros 3% não responderam à pergunta. A mesma série histórica usada para comparação mostra que 59% diziam, em maio de 2006, que a Guerra do Iraque havia sido um erro; no caso do Vietnã, 61% tinham essa avaliação em maio de 1971.

A percepção sobre o resultado da operação também é limitada. Só 19% dos americanos dizem que as ações dos Estados Unidos no Irã foram bem-sucedidas. Para 39%, elas não foram bem-sucedidas, enquanto 41% afirmam que ainda é cedo para avaliar. O quadro reforça a dificuldade do governo Trump em sustentar apoio público amplo para a ofensiva.

Apesar da reprovação majoritária no conjunto do eleitorado, o apoio entre republicanos segue elevado. De acordo com o The Washington Post, 79% dos republicanos identificados com o partido afirmam que a decisão foi correta. Entre independentes que se inclinam ao Partido Republicano, o cenário é mais dividido: 52% veem a medida como correta, enquanto 46% a classificam como erro.

A pesquisa também revela divisão sobre o próximo passo da política americana para o Irã. Para 48% dos entrevistados, Washington deveria aceitar um acordo de paz mesmo que o resultado fosse pior para os Estados Unidos. Outros 46% defendem pressionar Teerã por condições melhores, ainda que isso signifique retomar a ação militar. Entre democratas, 76% preferem um acordo; entre republicanos, 79% apoiam buscar termos mais duros mesmo com risco de nova ofensiva.

O argumento central do governo Trump é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Ainda assim, 65% dos americanos dizem não estar confiantes de que um eventual acordo para encerrar a guerra consiga impedir o avanço nuclear iraniano. Apenas 32% afirmam ter algum grau de confiança nesse desfecho.

Trump afirmou na quinta-feira (30) que um acordo sairia em breve. “O Irã está morrendo de vontade de fazer um acordo. Só posso dizer isso”, disse o presidente, segundo o The Washington Post. Ele acrescentou, em referência ao programa nuclear iraniano: “Eles não podem ser nucleares”.

O impacto econômico aparece como um dos principais fatores de preocupação. Para 60% dos entrevistados, a ação militar dos Estados Unidos aumentou o risco de a economia entrar em recessão. Além disso, 61% dizem que a ofensiva elevou o risco de terrorismo contra americanos, e 56% avaliam que a guerra enfraqueceu as relações com aliados dos Estados Unidos.

A alta dos combustíveis também pesa na avaliação pública. O levantamento mostra que 50% dos americanos esperam piora nos preços da gasolina no próximo ano; 44% dizem ter reduzido deslocamentos por causa dos preços altos, 42% cortaram despesas domésticas e 34% mudaram planos de viagem ou férias.

A piora financeira aparece em outro ponto da pesquisa: 40% dos entrevistados dizem estar em situação econômica pior do que estavam quando Trump assumiu a Presidência em janeiro de 2025; 17% afirmam estar melhor, e 42% dizem estar aproximadamente na mesma condição. A fatia dos que se descrevem como “ficando para trás financeiramente” subiu de 17% em fevereiro para 23% em abril.

A pesquisa também captou reação negativa a uma publicação de Trump feita em 7 de abril, antes do acordo de cessar-fogo, na qual ele escreveu que “toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta” caso o Irã não aceitasse um acordo com os Estados Unidos. Segundo o levantamento, 76% tiveram reação negativa à mensagem, enquanto 21% reagiram positivamente.

Dentro do governo, a guerra também gera preocupações operacionais. O vice-presidente JD Vance, veterano do Iraque, reconheceu em entrevista à Fox News que acompanha o impacto do conflito nos estoques militares americanos. “Claro que estou preocupado com a prontidão, porque esse é meu trabalho, estar preocupado”, afirmou.

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