Guerra dos EUA e Israel contra Irã chega ao 28º dia com tensão global
Conflito se intensifica com mais de 1.900 mortos, pressão diplomática e impactos no Golfo e nos mercados de energia
247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em seu 28º dia com a intensificação dos ataques e um cenário diplomático incerto. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar por 10 dias uma ofensiva planejada contra instalações energéticas iranianas, alegando avanços nas negociações de paz, enquanto Teerã contesta essa avaliação.
De acordo com informações da Al Jazeera, autoridades iranianas classificaram a proposta americana como “unilateral e injusta”, evidenciando a contradição entre as partes em conflito. Ao mesmo tempo, países como Paquistão, Turquia e Egito atuam como mediadores, tentando evitar uma escalada regional ainda maior.
Bombardeios, mortes e retaliações
No território iraniano, ataques aéreos conduzidos por forças americanas e israelenses continuam atingindo cidades, com um saldo de mais de 1.900 mortos até o momento. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e diversos países do Golfo, incluindo Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia.
Os bombardeios israelenses também atingiram diretamente a capital iraniana. Segundo os militares de Israel, houve “uma onda de ataques em larga escala contra a infraestrutura” do governo iraniano “no coração de Teerã”.
Apesar das declarações de Washington sobre progresso nas negociações, a percepção dentro do Irã é diferente. O jornalista Mohamed Vall, em reportagem de Teerã, afirmou que a população local está focada nos ataques contínuos e interpreta a ofensiva como sinal de que os Estados Unidos não levam as negociações a sério.
Negociações travadas e exigências divergentes
O governo iraniano apresentou cinco exigências consideradas inegociáveis, incluindo reparações pela guerra e manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz. Essas demandas são vistas como inaceitáveis pela Casa Branca, ampliando o impasse.
Enquanto isso, mediadores internacionais trabalham para viabilizar encontros diretos entre representantes iranianos e americanos, possivelmente já neste fim de semana no Paquistão, segundo autoridades egípcias e paquistanesas.
Golfo sob ataque constante
A guerra também tem provocado instabilidade crescente nos países do Golfo. Emirados Árabes Unidos, Kuwait e outros vizinhos enfrentam ataques frequentes.
Em Abu Dhabi, destroços de um projétil interceptado causaram a morte de duas pessoas — uma da Índia e outra do Paquistão — além de deixar três feridos. No Kuwait, a população convive com sirenes de ataque aéreo e explosões quase diárias, após repetidas interceptações de drones e mísseis.
Pressão interna nos Estados Unidos
O conflito já impacta diretamente a política interna dos Estados Unidos. A guerra tem pressionado o fornecimento de armamentos e levado o governo a considerar o redirecionamento de mísseis interceptores originalmente destinados à Ucrânia para o Oriente Médio.
Além disso, o aumento dos preços dos combustíveis afeta a popularidade de Donald Trump. Uma pesquisa da Fox News aponta que 64% dos entrevistados desaprovam sua condução da guerra, enquanto apenas 36% a aprovam.
Outro efeito observado é a mudança no consumo de informação: com a queda da confiança na cobertura televisiva, parte da população americana tem buscado notícias por meio de redes sociais.
Ampliação do conflito na região
Israel também intensificou operações em outras frentes. O Exército declarou necessidade de mais tropas no sul do Líbano, onde enfrenta o Hezbollah para estabelecer uma “zona tampão”. Dois soldados israelenses morreram na região.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, criticou duramente o governo, acusando-o de levar o país a um “desastre de segurança” ao entrar em uma guerra em múltiplas frentes sem estratégia clara.
No Líbano, o número de mortos já chegou a 1.116 após ataques israelenses. O primeiro-ministro Nawaf Salam alertou a ONU sobre o “risco de anexação” de áreas ao sul do rio Litani.
Impactos no Iraque, Iêmen e no petróleo
O conflito também atingiu o Iraque, onde ataques aéreos dos EUA contra a base de Habbaniyah deixaram entre cinco e sete soldados mortos e 23 feridos. O fechamento do Estreito de Ormuz provocou queda superior a 70% nas exportações de petróleo iraquiano.
A instabilidade afeta diretamente os mercados globais. O Banco Mundial afirmou estar pronto para oferecer apoio financeiro “em grande escala” a países emergentes. Paralelamente, um navio com mais de 700 mil barris de petróleo russo chegou às Filipinas, em meio a um cenário de emergência energética.
Riscos regionais e preocupação internacional
A analista Pearl Pandya, da ACLED, destacou à Al Jazeera que países do Sul da Ásia acompanham o conflito com preocupação, temendo tanto o colapso do governo iraniano quanto a desestabilização das economias do Golfo.
Com frentes abertas em diversos países e negociações ainda frágeis, o conflito amplia seus impactos para além do campo militar, influenciando mercados, políticas internas e a segurança de toda a região do Oriente Médio.


