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Hamas convoca apoio a Gaza e Jerusalém durante o mês de Ramadã

Movimento pede mobilização global, fim do bloqueio e maior presença na Mesquita de Al-Aqsa diante de restrições israelenses

Visão do complexo da mesquita de al Aqsa, em Jerusalém EUTERS/Ammar Awad (Foto: Paulo Emílio)

247 - O Movimento de Resistência Islâmica Palestina (Hamas) conclamou a população palestina e apoiadores da causa no mundo inteiro a transformarem o Ramadã em um período de fortalecimento da solidariedade com Gaza, Jerusalém e a Mesquita de Al-Aqsa. A orientação ocorre em meio ao agravamento das tensões na região e às restrições impostas por Israel ao acesso de fiéis ao principal santuário islâmico em Jerusalém Oriental.

De acordo com a emissora HispanTV, o Hamas afirmou em comunicado divulgado na quarta-feira (18), que o mês sagrado representa uma oportunidade para renovar o compromisso com os objetivos nacionais palestinos e ampliar o apoio aos prisioneiros, feridos e familiares dos mortos no conflito.

No texto, o movimento sustenta que o Ramadã deve se converter em “uma época para curar as feridas do povo de Gaza” e defende a adoção de medidas concretas por parte de governos, organizações internacionais e entidades de direitos humanos para pôr fim ao bloqueio imposto ao território e interromper ataques contra civis.

O Hamas também convocou palestinos que vivem na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental ocupada e nos territórios de 1948 a ampliarem a participação nas orações na Mesquita de Al-Aqsa e nos rituais de retiro espiritual (Itikaf). Segundo a organização, a presença massiva no local sagrado constitui uma forma de resistência frente ao que classificou como planos de ocupação e colonização por parte de Israel.

Em outro trecho, o grupo denunciou ações do governo liderado por Benjamin Netanyahu contra a Mesquita de Al-Aqsa, classificando-as como um “ato provocativo”. A declaração acrescenta que as noites do Ramadã devem se tornar um espaço de “obediência, perseverança e resistência contra o inimigo”.

A mobilização proposta não se limita aos territórios palestinos. O Hamas apelou à diáspora palestina e a simpatizantes internacionais para intensificarem iniciativas de solidariedade ao longo do mês sagrado, com o objetivo de ampliar a pressão externa por um cessar-fogo e pelo levantamento do bloqueio à Faixa de Gaza.

O comunicado ainda expressa a expectativa de que o Ramadã, com maior união entre os muçulmanos, contribua para reforçar a segurança, a estabilidade e a defesa do que o movimento define como a causa central do mundo islâmico: Al-Quds — nome árabe de Jerusalém — e a Mesquita de Al-Aqsa.

Todos os anos, durante o período de jejum e oração, centenas de milhares de palestinos se dirigem à Mesquita de Al-Aqsa, situada na parte leste de Jerusalém — área capturada por Israel em 1967 e posteriormente anexada — para participar das cerimônias religiosas.

Neste ano, porém, autoridades israelenses anunciaram a proibição da entrada de dezenas de jovens palestinos no complexo sagrado durante o Ramadã, além de restrições ao acesso de fiéis provenientes da Cisjordânia e de outros territórios ocupados. Segundo ativistas palestinos, tais medidas podem reduzir de forma significativa o número de participantes em comparação com anos anteriores.

Em meio ao aumento das tensões, um alto funcionário da polícia israelense confirmou um amplo esquema de segurança no entorno do Monte do Templo/Haram al-Sharif ao longo do mês sagrado. Arad Braverman, oficial sênior da polícia na Jerusalém ocupada, declarou que as forças permanecerão posicionadas “dia e noite”, tanto no interior do complexo quanto em suas imediações.

Ativistas palestinos alertam que as restrições diárias impostas por Israel têm como objetivo alterar a identidade islâmica da cidade e defendem medidas urgentes para proteger os locais sagrados muçulmanos. O Hamas, por sua vez, reiterou que a Mesquita de Al-Aqsa representa uma “linha vermelha” diante das ações israelenses na região.

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