Hezbollah rejeita negociações e descarta rendição diante de Israel
Líder do Hezbollah critica negociações entre Líbano e Israel e afirma que manterá resistência diante da ofensiva militar
247 - O Hezbollah rejeita negociações e descarta rendição diante de Israel, em meio à escalada do conflito no Líbano, enquanto seu líder afirma que a organização manterá a resistência diante da ofensiva militar e critica o diálogo previsto entre os dois países.
As declarações foram feitas pelo secretário-geral do movimento, Sheikh Naim Qassem, na véspera de negociações entre o governo libanês e Israel em Washington, segundo informações divulgadas pela teleSUR com base em fontes como PressTV e Al Mayadeen.
Qassem afirmou que o Hezbollah não aceitará qualquer tipo de rendição e criticou duramente o processo diplomático. Para ele, essas negociações são “inúteis e humilhantes” e representam concessões que enfraquecem o Líbano. O líder também rejeitou qualquer iniciativa política que abra espaço para diálogo direto com Israel fora de um consenso nacional.
Durante o discurso, o dirigente reforçou o posicionamento do movimento ao declarar: “Não nos acalmaremos nem nos renderemos; o campo de batalha falará por si”. Ele também acusou diretamente Washington e Tel Aviv de atuarem conjuntamente contra o país. “Os Estados Unidos e Israel querem que o exército libanês lute contra o seu próprio povo”, afirmou.
Qassem sustentou que a força do Líbano reside na união entre o exército, a população e a resistência. Ele também reiterou a necessidade de implementar imediatamente o acordo de cessar-fogo firmado em novembro de 2024, como forma de conter a escalada da violência.
O líder do Hezbolá também ampliou suas críticas ao afirmar que Israel busca desmantelar a organização e suas estruturas. Segundo ele, “Israel e os Estados Unidos declararam abertamente que querem fortalecer o exército para desarmar o Hezbollah, combatê-lo, desmantelar as suas instituições e eliminar a resistência”.
No campo regional, Qassem mencionou o papel do Irã e destacou a resiliência do país diante das pressões externas. “Se Deus quiser, o Irã sairá vitorioso”, disse, ao agradecer o apoio iraniano ao Líbano.
O discurso ocorre em um contexto de intensificação dos ataques israelenses. De acordo com autoridades libanesas citadas pela reportagem, desde 2 de março mais de 2 mil pessoas morreram e milhares ficaram feridas. Apenas nas últimas 24 horas, foram registradas 34 mortes e 174 feridos em diferentes regiões do país.
Qassem alertou ainda para a dimensão da ameaça, afirmando que todo o território libanês está sob risco. “Para que fique claro, todo o Líbano é um alvo”, declarou, ao denunciar a ampliação das operações militares israelenses para além do sul do país.
Segundo ele, o conflito está ligado a uma ameaça mais ampla à soberania libanesa. Nesse cenário, o Hezbolá afirma que continuará atuando militarmente como forma de defesa nacional, rejeitando qualquer acordo que considere prejudicial à independência do país.

