Irã anuncia prisão de líder de distúrbios e cita a Mossad
Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana, o agente tinha contatos no exterior e criou 'células terroristas' para estimular a agitação no país
Brasil de Fato - A Organização de Inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou a captura de 154 líderes e organizadores dos recentes distúrbios no país. Em comunicado divulgado nesse sábado (17), o IRGC apontou que os indivíduos foram presos durante uma operação de inteligência realizada nos últimos dias.
Entre os detidos está um dos principais líderes dos distúrbios, que, segundo o governo, é ligado à agência de inteligência israelense Mossad e desempenhou papel fundamental no planejamento, na organização e na direção dos ataques.
Segundo o comunicado, o agente mantinha contatos no exterior e “desempenhou um papel ativo na incitação à agitação no país, criando células terroristas”.
O texto acrescenta que o homem transferiu informações “importantes e sensíveis” sobre figuras e instalações militares e judiciais na província de Fars para serviços de espionagem estrangeiros em troca de dinheiro. Também haveria planos de atacar tais instalações.
Operações no Khuzistão e Ardebil
O IRGC no Khuzistão informou neste domingo (18) a prisão de líderes envolvidos nos distúrbios nessa província. Facas e armas de fogo foram apreendidas com os detidos. Eles foram implicados na queima de mesquitas e locais de culto, no assassinato de civis e na destruição de propriedades públicas e privadas.
O relatório oficial afirma que os envolvidos receberam ordens de serviços de inteligência estrangeiros para realizar assassinatos de civis e pessoas relevantes, semear divisões sectárias, atacar instalações militares e desmantelar infraestruturas essenciais, como oleodutos, redes de eletricidade e telecomunicações, bem como infraestruturas de água e gás.
No condado de Izeh, o chefe de polícia Heshmatollah Bastami anunciou a prisão do principal líder de atos ocorridos no início deste mês, incluindo o incêndio de bancos e a destruição de bens públicos. Bastami confirmou que a captura de manifestantes foi possível com a cooperação da população.
Além disso, há relatos de prisões de indivíduos envolvidos em atos de desordem e profanação de locais de culto religioso na província de Ardebil.
Contexto nacional
No Irã, foram relatados recentemente distúrbios e atos de vandalismo perpetrados por grupos radicais em Teerã e diversas outras cidades, com ataques contra agentes de segurança e danos a propriedades públicas e privadas, incluindo comércios, meios de transporte e locais de culto.
As autoridades iranianas relataram que os incidentes foram acompanhados de ações coordenadas, incluindo incêndios criminosos e ataques a instalações importantes, o que ressalta a gravidade da situação e a necessidade de salvaguardar a segurança pública.
O governo iraniano também denunciou o envolvimento de atores estrangeiros na organização desses distúrbios, apontando especificamente para o envolvimento de agências de inteligência dos Estados Unidos e de Israel. Segundo declarações oficiais, os manifestantes receberam treinamento e orientação para incitar a violência e desestabilizar a região.
Sob influência dos EUA e de Israel
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesse sábado (17) que “milhares” foram mortos nas manifestações por culpa dos Estados Unidos e de Israel. É a primeira vez que ele fala em número de vítimas fatais desde que os protestos começaram, em 28 de dezembro.
Khamenei fez a declaração em um discurso em comemoração ao Eid al-Mab’ath, que celebra o dia em que o profeta Muhammad recebeu a primeira revelação divina.
Para uma plateia de milhares de pessoas, o líder iraniano disse: “O presidente dos EUA encorajou abertamente os arruaceiros, e, nos bastidores, os Estados Unidos e o regime sionista lhes deram assistência”. Ele completou a fala dizendo que considera Trump um criminoso.
* Com informações da TeleSur


