Ali Khamenei: "Consideramos o presidente dos EUA um criminoso"
Líder Supremo do Irã afirma que Washington incentivou distúrbios e responsabiliza Donald Trump pelos danos causados ao país
247 - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é culpado pelas mortes e pelos danos causados à nação persa durante os recentes distúrbios no país. A afirmação foi feita durante encontro com milhares de pessoas, realizado neste sábado (17), por ocasião do Eid al-Mab'ath, celebração religiosa que marca o dia em que o profeta Muhammad recebeu a primeira revelação divina.
Khamenei associou os protestos recentes a um plano concebido fora do país e atribuiu aos EUA a responsabilidade direta pela instigação dos atos. Ao mencionar a mobilização popular ocorrida em 12 de janeiro, afirmou: "A nação iraniana quebrou a espinha desse plano, mas é essencial compreender plenamente a natureza, os objetivos e os agentes treinados e manipulados por trás dele".
Durante a cerimônia, o líder religioso descreveu o Mab'ath como o marco do nascimento do Alcorão e do início da civilização islâmica, além do momento em que foram estabelecidos princípios como justiça, fraternidade e igualdade. Ele também afirmou que sociedades atuais, especialmente as ocidentais, estariam imersas em corrupção moral, injustiça e opressão.
Acusações contra Washington
Ao tratar dos episódios de instabilidade, Khamenei classificou os distúrbios como uma sedição de origem estadunidense, contida pela atuação conjunta da população, de autoridades e das forças de segurança. Ele afirmou que a política permanente dos EUA seria retomar o domínio militar, político e econômico sobre o Irã.
De acordo com o líder iraniano, a diferença desse episódio em relação a outros momentos de protestos foi a atuação direta de Trump. "A característica distintiva dessa recente sedição foi que o presidente dos EUA interveio pessoalmente, falou, fez ameaças e incentivou os amotinados", declarou.
Khamenei também criticou declarações do chefe do Executivo estadunidense que teriam equiparado os responsáveis por atos violentos à população iraniana. "Consideramos o presidente dos EUA um criminoso, tanto pelas vítimas e danos quanto pela calúnia que lançou contra a nação iraniana", afirmou.
Descrição dos envolvidos nos distúrbios
O líder da Revolução Islâmica dividiu os participantes dos atos em dois grupos. O primeiro, segundo ele, seria formado por pessoas selecionadas por serviços de inteligência dos Estados Unidos e do regime sionista, treinadas e financiadas para atuar no país. "Um número significativo desses elementos criminosos foi detido graças ao trabalho eficaz de nossas forças de segurança", disse.
O segundo grupo, conforme Khamenei, seria composto por jovens e adolescentes sem ligação direta com serviços estrangeiros, descritos como pessoas manipuladas. Ele afirmou que esses participantes foram levados a atacar residências, prédios públicos e centros industriais.
Em seu discurso, o aiatolá citou a destruição de centenas de mesquitas e centros educacionais, além de danos a bancos, instalações do setor elétrico, unidades de saúde e estabelecimentos comerciais. Também mencionou mortes de civis, incluindo crianças, e atos que classificou como brutais.
Resposta do Estado iraniano
Khamenei declarou que a mobilização popular de 12 de janeiro encerrou os distúrbios e representou uma derrota dos Estados Unidos, que, segundo ele, já haviam sido derrotados anteriormente em conflitos regionais. Ele determinou que órgãos do Estado, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, adotem medidas para responsabilizar os Estados Unidos.
"Não levaremos o país à guerra, mas não deixaremos impunes os criminosos internos e internacionais", afirmou. O líder religioso também mencionou dificuldades econômicas enfrentadas pela população e cobrou maior empenho das autoridades para garantir o fornecimento de bens essenciais. Ao final do discurso, Khamenei pediu a preservação da unidade nacional e afirmou que divergências políticas não devem se espalhar entre a população.


