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Irã critica resolução dos EUA contra programa nuclear

Teerã afirma que Washington promove medida “irracional e provocativa” na AIEA para pressionar o país e justificar novas ações contra sua infraestrutura

O Sultanato de Omã, mediador de diálogo nuclear entre os EUA, cindena a entrada dos EUA na guerra (Foto: Reuters)
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247 - O Irã classificou como “irracional, provocativa e contraditória” a minuta de resolução apresentada pelos Estados Unidos ao Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contra seu programa nuclear pacífico. A manifestação foi feita pela Missão Permanente do Irã junto às Organizações Internacionais em Viena, na Áustria, em meio a novas tensões diplomáticas envolvendo Teerã e Washington.

Segundo a Telesur, a delegação diplomática iraniana divulgou comunicado oficial na plataforma X para rejeitar a iniciativa dos EUA, que, de acordo com Teerã, tenta deslocar o foco internacional dos efeitos do bloqueio econômico e das ações hostis contra a infraestrutura civil e tecnológica do país.

No comunicado, a missão iraniana afirmou que a diplomacia da Casa Branca recorre a “lágrimas de crocodilo” ao apresentar a resolução como resposta a uma suposta falta de cooperação técnica por parte de Teerã. Para o Irã, a medida seria uma manobra midiática destinada a encobrir os danos provocados por políticas de pressão e por atos de força contra instalações soberanas.

A diplomacia iraniana sustenta que hostilidades materiais e ações de sabotagem atribuídas ao imperialismo estadunidense causaram graves prejuízos à infraestrutura tecnológica e civil do país. Segundo Teerã, esses danos tornaram impossível, tanto na prática quanto do ponto de vista legal, a implementação adequada do acordo de salvaguardas da AIEA nas chamadas “instalações danificadas”.

A declaração também citou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo a denúncia iraniana, teria reiterado ameaças de bombardear centros de desenvolvimento científico persas no mesmo dia em que a delegação norte-americana distribuiu a minuta de resolução na Áustria. Para Teerã, o episódio reforça que as ameaças à segurança nacional iraniana seguem em aberto.

De acordo com a denúncia formal do Irã, o governo dos EUA busca a aprovação de uma resolução desnecessária e provocativa perante o Conselho de Governadores da AIEA. A avaliação iraniana é que Washington pretende quantificar, de forma tendenciosa, os danos que seus próprios atos de força teriam causado à infraestrutura soberana do país.

A missão diplomática iraniana também alertou para o que considera um padrão recorrente da política externa dos Estados Unidos. Segundo Teerã, Washington realizaria agressões unilaterais contra Estados soberanos e, posteriormente, buscaria aprovar resoluções em organismos multilaterais para legitimar retroativamente essas ações.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirma já ter identificado e denunciado formalmente essa estratégia em pelo menos duas ocasiões nos últimos doze meses, no âmbito de reuniões sobre segurança nuclear. Para a diplomacia iraniana, trata-se de uma forma de extorsão política exercida por meio de instituições internacionais.

A nova ofensiva diplomática ocorre em um contexto de pressão contínua contra o programa nuclear pacífico do Irã. O governo de Teerã denuncia ataques físicos e cibernéticos contra sua estrutura nuclear e atribui essas ações à estreita colaboração de inteligência entre os Estados Unidos e Israel.

Diante desse cenário, o Irã reafirmou que não cederá ao que classifica como chantagem das potências ocidentais. Teerã acusa Washington de tentar usar as consequências de ações hostis contra sua infraestrutura como pretexto para pressionar a AIEA, ampliar concessões políticas e prolongar o bloqueio econômico contra a população iraniana.

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