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Irã desmonta células do Mossad ligadas a manifestações de protesto

Governo frustrou ações violentas e campanhas de desinformação instigadas por agentes estrangeiros

Manifestação no Irã (Foto: Reprodução (YT))

247 - As autoridades judiciais e de segurança do Irã anunciaram o desmantelamento de várias células do Mossad, a agência de espionagem de Israel, em um contexto de protestos que o governo classifica como incentivados por forças estrangeiras. Segundo informações do governo iraniano, as operações resultaram na prisão de dezenas de pessoas acusadas de planejar ações violentas e de atuar na manipulação da opinião pública com o objetivo de provocar instabilidade interna.

Reortagem da Telesur relata que 44 indivíduos foram detidos sob a acusação de preparar uma operação de assassinato de falsa bandeira, cujo propósito seria atribuir ao Estado a morte de civis e aprofundar o clima de tensão no país durante a onda de protestos.

Durante as ações de segurança, as autoridades relataram a apreensão de armas de fogo, munições e equipamentos especializados utilizados na fabricação de artefatos explosivos improvisados. Um dos episódios citados ocorreu na cidade de Ilam, no oeste do Irã, onde um veículo de transporte público foi incendiado durante manifestações registradas no início de janeiro.

O promotor Goodarz Amraei afirmou que líderes envolvidos em atos de violência também foram presos. “Vários líderes foram presos por incitar tumultos, atacar locais religiosos e propriedades públicas”, declarou. As autoridades apontam que essas ações buscavam ampliar o impacto dos protestos e provocar confrontos mais amplos.

Em operações paralelas, quatro pessoas foram detidas na província de Qazvin, acusadas de planejar ataques considerados sofisticados contra instalações militares e governamentais. Ao mesmo tempo, foi confirmada em Teerã a prisão de um agente do Mossad que atuava de forma disfarçada no país.

Segundo as autoridades iranianas, o suspeito confessou ter recebido instruções táticas a partir da Alemanha, utilizando redes sociais como meio de comunicação. A missão atribuída a ele seria recrutar jovens para atos de violência nas ruas e registrar imagens dos distúrbios, com o objetivo de alimentar campanhas de propaganda estrangeira e enfraquecer a estabilidade interna.

Além das prisões relacionadas a ações físicas, os serviços de segurança também anunciaram o desmantelamento de uma campanha coordenada de guerra digital na capital iraniana. Quarenta pessoas foram presas sob a acusação de utilizar ferramentas de inteligência artificial para produzir e disseminar imagens e vídeos falsos sobre os protestos.

De acordo com os investigadores, os materiais manipulados incluíam conteúdos antigos ou reciclados, apresentados como se fossem atuais, para criar a impressão de um cenário de caos generalizado no país. Os suspeitos teriam sido identificados por meio de operações de inteligência, e o material considerado enganoso foi retirado de circulação em coordenação com as autoridades judiciais.

No total, mais de 45 pessoas foram detidas em diferentes operações, enfrentando acusações que vão desde a organização de tumultos e ataques a propriedades públicas até o planejamento de ações contra instalações estratégicas e a disseminação em larga escala de desinformação. Para as autoridades iranianas, os episódios reforçam a existência de um padrão de interferência estrangeira, baseado na incitação à violência e no uso de propaganda falsa para influenciar a percepção pública e desestabilizar o país.

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