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Irã e EUA tentam demonstrar controle sobre Ormuz

Analista ouvido pela Al Jazeera alerta que tensão entre Irã e EUA no estreito de Ormuz pode colocar acordo delicado em risco

Imagem captada por drone do petroleiro HELGA atracado em um dos terminais petrolíferos offshore do sul do Iraque, próximo a Basra, enquanto se prepara para carregar petróleo, tornando-se a segunda embarcação a chegar desde o fechamento do Estreito de Ormuz, em 24 de abril de 2026 (Foto: Mohammed Aty/Reuters)
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247 - A tensão entre Irã e EUA no estreito de Ormuz voltou a acender alertas sobre a fragilidade do memorando de entendimento em negociação entre os dois países. Segundo o analista Andrea Dessi, da American University of Rome, ouvido pela Al Jazeera, a recente escalada mostra que o acordo é “extremamente delicado” e pode ruir “a qualquer momento”.

De acordo com Dessi, tanto Teerã quanto Washington têm interesse em evitar que a disputa se transforme em um conflito aberto de maiores proporções. Ainda assim, o analista avalia que os movimentos recentes indicam uma tentativa de ambas as partes de demonstrar capacidade de controle sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

“Claramente, é do interesse de ambos os lados, Irã e Estados Unidos, não permitir que isso escale para um novo conflito total”, afirmou Dessi à Al Jazeera.

O estreito de Ormuz é uma passagem central para o transporte internacional de petróleo e gás, o que torna qualquer sinal de instabilidade na região motivo de preocupação global. A avaliação do especialista é que a atual fase de tensão pode se tornar uma espécie de “novo normal” durante o período de negociações entre as partes.

Dessi afirmou que esse cenário poderá se repetir ao longo dos próximos “30 ou 60 dias”, enquanto os dois governos tentam avançar em conversas diplomáticas e, ao mesmo tempo, preservar suas posições estratégicas na região.

“Ambos os lados têm um interesse específico em demonstrar que sua capacidade de controlar ou comandar o estreito está em suas mãos”, disse o analista.

Para ele, essa disputa por demonstração de força cria um ambiente perigoso, no qual incidentes localizados podem rapidamente ganhar dimensão maior. A combinação entre rivalidade militar, pressão diplomática e importância econômica do estreito aumenta o risco de erro de cálculo.

“Portanto, isso está criando uma tensão e um potencial choque, que pode sair do controle a qualquer momento”, alertou Dessi.

A análise reforça a percepção de que o memorando entre Irã e Estados Unidos depende de equilíbrio político e militar altamente instável. Embora ambos os lados tenham razões para evitar uma guerra aberta, a tentativa de afirmar influência sobre Ormuz mantém a região sob risco permanente de nova escalada.

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