EUA atacam alvos iranianos após tensão no Estreito de Ormuz
Ação militar elevou a pressão sobre o cessar-fogo entre Washington e Teerã após drone atingir navio comercial perto de Omã
247 - Os Estados Unidos atacaram alvos iranianos nesta sexta-feira (26) após um drone atingir um navio comercial no Estreito de Ormuz, episódio que elevou a pressão sobre o cessar-fogo entre Washington e Teerã e reacendeu a tensão em uma das rotas mais estratégicas do transporte mundial de petróleo. A informação foi publicada pelo Metrópoles, com base em comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom).
De acordo com a versão estadunidense, a operação militar foi uma resposta ao ataque ocorrido na quinta-feira (25), quando um drone iraniano atingiu o cargueiro M/V Ever Lovely, de bandeira de Singapura, enquanto a embarcação deixava o estreito e navegava pela costa de Omã.
Militares dos EUA relataram que aviões estadunidenses atingiram depósitos de mísseis e drones do Irã, além de estações de radar costeiras. O Centcom afirmou que segue atuando para garantir a circulação de embarcações comerciais pela região, considerada essencial para o fluxo global de energia.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia acusado forças iranianas de lançar pelo menos quatro drones de ataque contra navios que cruzavam o Estreito de Ormuz. Segundo ele, um dos equipamentos atingiu o convés de um cargueiro e causou danos materiais, mas a embarcação conseguiu continuar viagem.
O chefe da Casa Branca também afirmou que as forças norte-americanas interceptaram e destruíram outros três drones. Para o governo dos EUA, a ação atribuída ao Irã representou uma violação do acordo de cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã.
Acordo e escalada de tensão
A nova escalada ocorre poucos dias depois de EUA e Irã anunciarem uma trégua destinada a interromper confrontos militares e abrir espaço para negociações diplomáticas. O entendimento previa compromissos voltados à redução das hostilidades e à construção de um acordo permanente para encerrar o conflito.
Entre os pontos do acordo mencionados pelo governo norte-americano estão o fim das operações militares, o respeito à soberania, a retirada do bloqueio naval, a reabertura do Estreito de Ormuz, a retomada das exportações de petróleo, a liberação de ativos congelados, compromissos nucleares e a criação de um mecanismo de monitoramento com aval da ONU.
O ataque desta sexta-feira, no entanto, amplia as dúvidas sobre a estabilidade da trégua e pode dificultar o avanço das negociações entre os dois países. O Estreito de Ormuz, situado entre o Irã e Omã, é uma passagem marítima sensível por concentrar parte relevante do transporte internacional de petróleo e gás.
A acusação dos EUA contra Teerã também reforça a preocupação de que incidentes envolvendo navios comerciais possam provocar nova rodada de retaliações militares. Até o momento, o episódio foi apresentado por Washington como uma resposta direta ao ataque contra o cargueiro de bandeira singapuriana.
Com a operação, o governo Trump sinaliza que pretende manter presença militar ativa na região e reagir a ações consideradas ameaças à navegação comercial. A crise, porém, recoloca em xeque o esforço diplomático anunciado há poucos dias para reduzir a tensão entre Estados Unidos e Irã.



