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ONU suspende escolta de navios em Ormuz após ataque a embarcação

Incidente no Estreito de Ormuz aumenta tensão sobre acordo com o Irã e reacende temores no mercado global de petróleo

Navio-tanque Agios Fanourios I, com bandeira de Malta, um navio petroleiro que navegou pelo Estreito de Ormuz, chegando às águas territoriais do Iraque ao largo de Basra, Iraque (Foto: Mohammed Aty/Reuters)
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247 - A Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU, decidiu suspender temporariamente sua operação de escolta de navios na região.

Segundo a Reuters, a medida foi anunciada após uma embarcação relatar ter sido atingida perto de Omã, em meio a disputas sobre as rotas consideradas seguras para a passagem pelo estreito, uma das áreas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

A Evergreen Marine, de Taiwan, informou que seu navio Ever Lovely, com bandeira de Singapura, foi atingido por um “objeto desconhecido” enquanto navegava por uma rota recomendada pela agência naval britânica UKMTO. De acordo com a empresa, o impacto ocorreu no lado estibordo da embarcação, e as inspeções iniciais apontaram danos nas janelas da ponte de comando.

“A tripulação, o navio e a carga estão todos em segurança”, afirmou a companhia em comunicado enviado à bolsa de valores. “O navio deixou o Estreito de Ormuz em segurança.”

Dois funcionários dos Estados Unidos disseram à Reuters que o Irã teria disparado contra a embarcação. Uma fonte da área de segurança afirmou que o ataque provavelmente foi realizado por drone. Teerã, por sua vez, vem sustentando que navios que não sigam as rotas definidas por autoridades iranianas não terão garantia de passagem segura.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada por Teerã para administrar os pedidos de trânsito pelo estreito, afirmou que embarcações fora dos trajetos autorizados assumem os riscos da navegação. “As consequências decorrentes da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, operador e comandante da embarcação”, declarou a autoridade iraniana.

A IMO vinha atuando para retirar centenas de navios e milhares de tripulantes que ficaram retidos no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O plano de evacuação, voluntário, havia sido lançado na terça-feira e previa duas rotas de saída do Golfo: uma por águas iranianas e outra por águas de Omã, com supervisão dos Estados Unidos.

O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, afirmou que a agência decidiu suspender temporariamente a operação para reconfirmar se as garantias de segurança continuavam válidas para as embarcações incluídas na lista de evacuação e para os demais navios na região. A organização ressaltou que a embarcação envolvida no suposto ataque não fazia parte da iniciativa de retirada.

O episódio ocorre em um momento delicado para o acordo preliminar que busca encerrar a guerra com o Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou no início do mês que, caso Teerã não cumpra os termos do entendimento voltado a pôr fim ao conflito e reabrir plenamente o estreito, Washington poderia voltar a bombardear o país.

Antes do incidente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia declarado, ao encerrar uma viagem pelo Golfo para tranquilizar aliados regionais sobre o pacto, que qualquer ameaça iraniana ao fluxo de navios no Estreito de Ormuz criaria um novo impasse. “then we're going to have a problem”, afirmou Rubio, em referência à possibilidade de o Irã ameaçar ou bloquear embarcações na região.

O Irã, no entanto, tem indicado que pretende manter controle rígido sobre a passagem no estreito. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que a navegação segura só será possível pelas rotas designadas por Teerã e que adotará medidas contra embarcações que descumprirem essas determinações. Segundo a empresa britânica de segurança marítima Ambrey, a Guarda Revolucionária também ordenou que dois navios com bandeira do Panamá alterassem suas rotas.

O Estreito de Ormuz voltou ao centro das preocupações internacionais porque, antes do conflito, respondia por cerca de um quinto dos embarques diários globais de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início da guerra, o controle efetivo exercido pelo Irã sobre a hidrovia afetou fluxos de petróleo e pressionou mercados de energia.

Apesar do novo incidente, os preços do petróleo voltaram a cair na sexta-feira e caminhavam para perdas semanais expressivas, em meio à saída de mais petroleiros que estavam retidos no estreito. A movimentação indica que parte do mercado ainda aposta em uma retomada gradual do tráfego marítimo na região, embora os riscos de segurança permaneçam elevados.

Também houve sinais de retomada operacional por parte de grandes produtores do Oriente Médio. Dados de navegação da LSEG mostraram que a Saudi Aramco voltou a carregar petróleo no terminal de Ras Tanura, no Golfo, após quase quatro meses de paralisação. Dois navios do tipo VLCC, controlados pela Bahri, braço de transporte marítimo da Arábia Saudita, foram vistos carregando petróleo no porto, considerado o maior terminal petrolífero do mundo. Cada uma dessas embarcações tem capacidade para transportar cerca de 2 milhões de barris.

A Coreia do Sul também informou avanços na retirada de embarcações da região. O presidente Lee Jae Myung disse que três navios sul-coreanos deixariam o Estreito de Ormuz no fim de semana, depois que o Ministério dos Oceanos relatou a saída de outras oito embarcações do país.

A guerra e a instabilidade no Golfo também têm repercussão direta na política interna dos Estados Unidos. O conflito pesa sobre Donald Trump antes das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso. Uma pesquisa Reuters/Ipsos apontou que apenas um em cada quatro americanos considera que a guerra valeu o custo.

O acordo preliminar de cessar-fogo segue cercado por divergências. Há relatos conflitantes sobre incentivos financeiros ao Irã, inspeções nucleares, controle do Estreito de Ormuz e a guerra paralela de Israel no Líbano. O entendimento prevê 60 dias de negociações para tratar dos pontos mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano.

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