Trump tem discussão acalorada com senador republicano sobre financiamento à guerra contra Irã
Correligionário fez cobranças sobre acordo preliminar assinado pelo presidente na semana anterior
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentou uma rara pressão dentro do próprio Partido Republicano em meio ao desgaste provocado pela guerra com o Irã. A tensão veio à tona em uma reunião fechada no Capitólio, antes de seu governo solicitar ao Congresso US$ 70 bilhões para custear a guerra, ampliando o debate sobre poderes de guerra, acordo com Teerã e segurança no Oriente Médio.
As informações são da Reuters. Segundo republicanos presentes ao encontro, Trump se envolveu em uma discussão acalorada com o senador Bill Cassidy, que cobrou explicações sobre um acordo preliminar assinado pelo presidente na semana anterior. O entendimento prevê incentivos financeiros ao Irã, mas, de acordo com críticos, não alcança os objetivos definidos inicialmente por Trump para a guerra.
“O povo americano precisa saber mais do que está sendo dito”, afirmou Cassidy a jornalistas. “Não parece, embora eu não tenha certeza, que o rumo disso esteja seguindo o caminho que nos foi dito.”
A pressão sobre Trump ocorre em um momento politicamente sensível, às vésperas das eleições de novembro que definirão o controle do Congresso. A guerra com o Irã passou a pesar sobre os republicanos, em um cenário no qual a aprovação do presidente está no nível mais baixo desde seu retorno ao cargo no ano passado, segundo pesquisa Reuters/Ipsos citada pela agência. O levantamento apontou que apenas um em cada quatro americanos acredita que a guerra valeu a pena.
Senado barra resolução sobre poderes de guerra
Horas depois da reunião tensa, líderes republicanos do Senado convocaram uma votação noturna para bloquear uma resolução que pedia o fim das hostilidades com o Irã. A medida foi derrotada por 50 votos a 47, em uma votação que seguiu majoritariamente as linhas partidárias.
“Esta votação serve de alerta para o Irã”, escreveu Trump nas redes sociais após a sessão de quarta-feira à noite, embora a decisão não tenha alterado uma votação processual anterior.
A resolução sobre poderes de guerra havia avançado em maio e ganhou força depois de a Câmara dos Representantes aprovar, neste mês, uma medida que instruiria Trump a encerrar a guerra. Cassidy foi um dos quatro republicanos que apoiaram a iniciativa ao lado dos democratas.
Mais tarde, ao comentar o tema na Casa Branca, Trump criticou a mensagem enviada ao exterior por esse tipo de votação. “O Irã vê isso e pensa: ‘Do que se trata?’. Agora vocês sabem, não significa nada, certo?”, disse o presidente.
Na votação noturna, Cassidy, que anteriormente havia apoiado resoluções relacionadas aos poderes de guerra no caso do Irã, votou contra a medida. O senador Rand Paul, republicano do Kentucky, registrou presença. As republicanas Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca, votaram com quase todos os democratas a favor da resolução. John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único democrata a votar contra. Mitch McConnell, do Kentucky, e Michael Bennet, do Colorado, não participaram da votação.
Cassidy diz ter recebido explicações da Casa Branca
Após o confronto político, Cassidy afirmou em publicação no X que recebeu um informe detalhado do vice-presidente JD Vance e do enviado especial Steve Witkoff sobre o Irã. “Agradeço o convite rápido à Casa Branca para tratar de muitas das minhas preocupações”, declarou o senador.
A tentativa de reduzir a tensão ocorreu no mesmo dia em que o governo Trump solicitou ao Congresso US$ 70 bilhões adicionais para cobrir os custos da guerra. O pedido se soma ao orçamento militar norte-americano de US$ 867 bilhões.
O impasse no Congresso também reflete controvérsias em torno do acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. Há divergências sobre incentivos financeiros a Teerã, inspeções em instalações nucleares, controle do Estreito de Ormuz e a guerra paralela de Israel no Líbano. O entendimento prevê 60 dias de negociações para discutir questões mais difíceis, incluindo o programa nuclear iraniano.


