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Irã já lançou mais de 2 mil mísseis e drones em uma semana de guerra

Dados indicam mais de 2,1 mil lançamentos contra países do Golfo, com bases dos EUA e infraestrutura estratégica entre os principais alvos

Fumaça sobe do porto de Jebel Ali após ataque iraniano, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em Dubai, Emirados Árabes Unidos, 1º de março de 2026 (Foto: REUTERS/Abdelhadi Ramahi)

247 - Nos primeiros dias do atual conflito no Oriente Médio, o Irã lançou uma ofensiva em grande escala contra países do Golfo Pérsico, utilizando milhares de mísseis e drones em ataques direcionados principalmente a bases militares dos Estados Unidos e a infraestruturas.

Levantamento divulgado pelo Haaretz indica que, nos cinco primeiros dias da guerra, Teerã disparou ao menos 2.191 mísseis e drones de ataque contra os Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Os ataques também atingiram alvos na Arábia Saudita, no Iraque e em Omã, embora esses países não tenham divulgado números oficiais sobre a quantidade de lançamentos em seus territórios.

Emirados Árabes Unidos foram os mais atingidos

De acordo com dados compilados pelos ministérios da Defesa de quatro países do Golfo, cerca de um quarto dos projéteis lançados — 563 — eram mísseis, majoritariamente balísticos. Os demais 1.628 eram drones de ataque.

Apesar da intensidade da ofensiva, os sistemas de defesa aérea teriam interceptado grande parte dos projéteis. No total, 2.087 mísseis e drones foram abatidos, segundo os dados oficiais. Entre os países afetados, os Emirados Árabes Unidos foram os que sofreram o maior volume de ataques.

Os alvos incluíram bases militares dos Estados Unidos instaladas na região, além de refinarias, portos e aeroportos considerados estratégicos para a economia e a logística energética global. Em algumas áreas, prédios residenciais e estabelecimentos comerciais também sofreram danos.

Escala maior do que ataques contra Israel

A ofensiva contra os países do Golfo supera, em volume, a campanha realizada contra Israel no conflito do ano passado. Durante a guerra de 12 dias em 2025, o Irã lançou cerca de 530 mísseis balísticos contra território israelense, segundo dados das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Na atual escalada, as autoridades israelenses divulgaram apenas dados parciais. Segundo o Exército israelense, no primeiro dia de combates o Irã disparou mais de 100 mísseis e drones contra Israel, número que teria diminuído nos dias seguintes.

Conflito se espalha para outros países

Além dos países do Golfo e de Israel, outras nações da região também foram afetadas pela escalada militar.

Na quinta-feira, o Irã atacou pela primeira vez o Azerbaijão. Drones atingiram o aeroporto de Nakhchivan, enclave localizado próximo à fronteira iraniana. Um dia antes, um míssil balístico foi lançado contra a Turquia, mas acabou interceptado. Chipre também registrou ataques com mísseis e drones, que, segundo estimativas, teriam sido disparados pelo Hezbollah.

Bases militares dos EUA sob ataque

Diversas instalações militares norte-americanas na região tornaram-se alvos da ofensiva iraniana.

No Catar, a base aérea de Al Udeid — sede do Comando Central dos Estados Unidos — foi repetidamente atacada. Imagens de satélite indicam que aeronaves de reabastecimento da Força Aérea dos EUA foram transferidas para outras bases, incluindo o Aeroporto Ben-Gurion, em Israel.

As imagens também revelaram danos a um radar avançado dos Estados Unidos instalado no norte do Catar, utilizado para detectar lançamentos de mísseis provenientes do território iraniano.

No Bahrein, a capital Manama abriga o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos. Já nos Emirados Árabes Unidos, diversas bases aéreas utilizadas por forças norte-americanas participam das operações militares na região.

Na Arábia Saudita, a base aérea Prince Sultan, próxima a Riad, concentra dezenas de caças e aeronaves AWACS dos Estados Unidos envolvidos na campanha militar contra o Irã. Instalações militares no Kuwait e no Iraque também foram atacadas ao longo da semana.

Além disso, caças norte-americanos posicionados na Jordânia participam tanto das operações ofensivas quanto da defesa do espaço aéreo jordaniano e israelense contra drones.

Custos elevados da defesa antimísseis

Os países do Golfo não divulgaram quais sistemas específicos foram utilizados nas interceptações. Antes da escalada do conflito, os Estados Unidos reforçaram a defesa aérea na região com sistemas como THAAD e baterias Patriot.

Cada interceptador do sistema THAAD — usado contra mísseis balísticos — custa cerca de US$ 13 milhões. Já os mísseis Patriot, empregados contra drones e mísseis de cruzeiro, têm custo aproximado de US$ 4 milhões por unidade.

Uma análise do Haaretz aponta que, durante a guerra de junho do ano passado, Israel e Estados Unidos dispararam cerca de 200 interceptadores Arrow e THAAD, ao custo total estimado de aproximadamente 5 bilhões de shekels.

Posteriormente, a CNN informou que apenas os Estados Unidos utilizaram 150 mísseis THAAD naquele conflito, o equivalente a cerca de um quarto de seu estoque disponível, enquanto a produção anual desses interceptadores permanece limitada a algumas dezenas de unidades.

Drones baratos ampliam desafio militar

Enquanto os sistemas de defesa aérea são extremamente caros, os drones utilizados pelo Irã têm custo muito inferior. Estimativas indicam que cada drone de ataque iraniano custa entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, e que o país possui milhares desses equipamentos.

O uso de mísseis Patriot para interceptar drones cria um forte desequilíbrio econômico na guerra. Para reduzir custos, os Estados Unidos desenvolveram recentemente um sistema alternativo: foguetes guiados instalados em pods em aeronaves de combate.

Cada caça equipado com esse sistema pode derrubar até 42 drones de ataque. Os foguetes utilizados custam cerca de US$ 30 mil por unidade e já foram instalados em aeronaves de diversos esquadrões que Washington deslocou para o Oriente Médio.

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