Israel assassina família palestina na Cisjordânia, matando pai, mãe e duas crianças
Ataque de forças israelenses contra carro de família em Tammun deixa quatro mortos, incluindo duas crianças, e fere outros dois filhos do casal
247 - Uma operação militar israelense na cidade de Tammun, no norte da Cisjordânia, terminou com a morte de quatro integrantes de uma mesma família palestina — um casal e dois filhos pequenos — após soldados abrirem fogo contra o carro em que estavam. O episódio ocorreu na noite deste sábado (14) e deixou ainda outras duas crianças feridas.
As vítimas foram identificadas como Ali Khaled Bani Awda, de 37 anos; sua esposa, Wa’ad, de 35; e os filhos Muhammad, de 5 anos, e Othman, de 7. Segundo autoridades palestinas, o pai foi atingido por disparos na cabeça, no peito e no braço esquerdo, enquanto os demais ocupantes do veículo foram baleados na cabeça.
Os corpos foram levados para o Hospital Público Turco, na cidade próxima de Tubas, onde foram registrados os óbitos.
Outros dois filhos do casal sobreviveram, mas ficaram feridos. Mustafa, de 8 anos, e Khaled, de 11, sofreram ferimentos leves causados por estilhaços durante o tiroteio. Ambos receberam atendimento médico após serem retirados do local.
O incidente ocorreu durante uma operação militar israelense que tinha como objetivo prender suspeitos na região. Em comunicado divulgado na manhã de domingo (15), a polícia israelense afirmou que os soldados abriram fogo após o veículo avançar em direção às tropas.
Segundo a nota oficial, “um veículo acelerou em direção às forças, que se sentiram ameaçadas e abriram fogo”. O comunicado acrescenta ainda que “como resultado, quatro palestinos que estavam no veículo foram mortos.”
Autoridades militares indicaram que os disparos foram efetuados por agentes da Polícia de Fronteira durante a operação.
Moradores de Tammun relataram que unidades israelenses entraram na cidade utilizando um veículo com placa palestina e posteriormente receberam reforços de tropas adicionais. Após o tiroteio, o automóvel da família — perfurado por diversos disparos — foi apreendido pelas forças israelenses.
Equipes da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino afirmaram que foram inicialmente impedidas de chegar ao local para prestar socorro às vítimas. As equipes de resgate só teriam recebido autorização posteriormente para retirar os corpos e atender as duas crianças feridas.
Relatos de moradores indicam que a família havia saído de casa para fazer compras para o Eid al-Fitr, feriado islâmico que marca o fim do Ramadã e que seria celebrado nos dias seguintes.
Testemunhas disseram que Wa’ad foi atingida primeiro, gritou e morreu enquanto tentava proteger os filhos dentro do veículo. O pai, Ali, também foi atingido por múltiplos disparos e não resistiu aos ferimentos.
Durante o ataque, Khaled, de 11 anos, ficou ferido por estilhaços ao tentar proteger o irmão Othman, de 7 anos, que acabou morto junto com o irmão mais novo Muhammad, de 5.
A operação militar na cidade também resultou em prisões. Forças israelenses detiveram três pessoas durante incursões realizadas em residências da região.
Entre os detidos estão Mahmoud Hassan Bani Odeh e seu filho Hassan, de 19 anos. Um adolescente de 15 anos, identificado como Yaman Hossam Bani Odeh, também foi levado sob custódia durante a mesma operação.
O episódio ocorre em meio a uma intensificação da violência na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, desencadeada após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
Desde então, mais de mil palestinos foram mortos na Cisjordânia em confrontos, operações militares ou ataques atribuídos a colonos israelenses. No mesmo período, ataques classificados como terroristas resultaram na morte de dezenas de civis e membros das forças de segurança israelenses.


