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Trump diz que atacar o Irã "por hábito" não era boa ideia, mas defende ação e cita aliados

Presidente dos EUA defende ofensiva contra o Irã em nome de aliados estratégicos e cita Israel. Conflito já deixou mais de 3 mil mortos. Vídeo

Donald Trump (Foto: Molly Riley/Casa Branca)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que atacar o Irã “por hábito” “não era uma boa ideia”, mas declarou que tomou a decisão em nome de aliados considerados estratégicos no Oriente Médio, mencionando explicitamente Israel.

A informação foi divulgada por meio de uma publicação na rede social X pelo perfil AF Post, que reproduziu a fala atribuída ao presidente. Segundo o conteúdo divulgado, Trump afirmou que a ação militar ocorreu em apoio a “bons aliados” da região, citando diretamente Israel como um dos países beneficiados pela decisão.

A fala ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. Desde o início das operações militares, Washington e Tel Aviv têm conduzido ataques contra alvos iranianos, alegando que as ações visam neutralizar ameaças relacionadas ao programa militar e à infraestrutura estratégica do país.

O próprio Trump já havia defendido publicamente as operações conjuntas, afirmando que o objetivo das ofensivas é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e reduzir capacidades militares consideradas ameaçadoras para os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio.

O conflito ganhou dimensão internacional nas últimas semanas. A guerra entre Estados Unidos e Irã, que envolve também Israel, tem provocado impactos geopolíticos e econômicos, incluindo tensões diplomáticas e aumento do preço do petróleo, além de pressão sobre aliados ocidentais para que participem das operações militares na região.

As declarações de Trump sobre o ataque ao Irã ocorrem em um momento de críticas e divergências dentro da própria comunidade internacional sobre o papel dos EUA no conflito. Líderes de diferentes países têm reagido com posições variadas, desde apoio à ofensiva até pedidos de contenção e diálogo para evitar uma escalada ainda maior da crise no Oriente Médio.

Entenda

A ofensiva estadunidense contra o Irã teve início no dia 28 de fevereiro, sob a justificativa de que Teerã estaria avançando no desenvolvimento de uma bomba nuclear. Mas a acusação encontrou resistência no plano multilateral: o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que a ONU não dispõe de evidências de que o país persa esteja conduzindo um programa estruturado para a produção de armamento nuclear.

O saldo humano do conflito é devastador. Segundo o embaixador iraniano junto à ONU, mais de 1.300 pessoas perderam a vida no Irã desde o início das operações militares. A Human Rights Activists News Agency, organização com sede nos Estados Unidos, detalhou os números: 1.319 vítimas civis — entre elas ao menos 206 crianças — e 1.122 integrantes das forças militares. Outros 599 óbitos ainda aguardam classificação. Quando se somam as mortes registradas em países vizinhos, como o Líbano, o total de vítimas fatais ultrapassa a marca de três mil.

A ofensiva não é exclusivamente americana. Israel atua ao lado dos Estados Unidos tanto no território iraniano quanto no libanês, onde também conduziu ataques. No campo diplomático, o chanceler iraniano Abbas Araghchi buscou delimitar o escopo do conflito: segundo declarações reproduzidas pela mídia estatal do Irã, Teerã não vê os países do Golfo Pérsico como adversários — o enfrentamento direto, na visão iraniana, é com Washington, especialmente após os bombardeios do último sábado.

O tabuleiro geopolítico da região revela alianças bem definidas de cada lado. Os Estados Unidos contam com ao menos oito parceiros formais no Oriente Médio: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Do outro lado, o Irã mantém relações estratégicas com o Paquistão, com o Hezbollah — milícia com forte enraizamento no Líbano — e com o Iêmen.

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