Pezeshkian diz que Irã não iniciou guerra e exige condenação global
Presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirma que país não iniciou guerra e pede reação internacional, enquanto críticas na Europa expõem tensões com os EUA
247 - A escalada de tensões no Oriente Médio ganhou novos contornos após declarações do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, que acusou os Estados Unidos e Israel de promoverem uma invasão contra seu país e pediu que a comunidade internacional condene o que chamou de agressão. Em uma publicação na rede social X, o líder iraniano relatou detalhes de uma conversa com o presidente francês, Emmanuel Macron, e afirmou que o Irã exerce apenas seu direito de defesa.
“Em minha conversa com o presidente da França, Emmanuel Macron, enfatizei que o Irã não iniciou essa guerra atroz. Defender-se de uma invasão é um direito natural, no qual somos bons”, escreveu Pezeshkian. Segundo o presidente iraniano, o conflito atual resulta de uma ação externa contra o país, e não de uma iniciativa de Teerã.
O chefe de Estado também criticou a presença militar dos Estados Unidos na região e o uso de bases americanas em países vizinhos para ações contra o Irã. “O uso das bases americanas contra o Irã na região, com o objetivo de perturbar nossas relações com nossos vizinhos, deve ser interrompido”, declarou.
Em sua mensagem, Pezeshkian afirmou ainda que a estabilidade regional depende do reconhecimento do que classificou como uma ofensiva coordenada. “A paz e a estabilidade na região não podem ser alcançadas enquanto ignorarmos a invasão sionista-americana em nosso país. A República Islâmica do Irã não se renderá a esses valentões”, disse.
O presidente iraniano também apelou por uma reação internacional ao conflito. “Esperamos que a comunidade internacional condene esta invasão e convença os invasores a respeitar as leis internacionais”, afirmou. Ele acrescentou que guerras iniciadas com base em justificativas falsas são incompatíveis com a ordem global contemporânea.
“Iniciar uma guerra com o objetivo de conquistar, baseada em informações falsas, é um ato medieval no século XXI”, escreveu o líder iraniano. Em outro trecho, Pezeshkian declarou que qualquer discussão sobre o fim do conflito exige garantias de segurança para o Irã. “Falar em acabar com a guerra não faz sentido enquanto não garantirmos que não haverá mais ataques em nosso país no futuro.”
As declarações ocorrem em meio a críticas dentro da própria Europa sobre a postura do bloco diante do conflito. De acordo com reportagem do Politico citada pela RT, o ex-chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que o bloco perdeu credibilidade por não se opor com firmeza aos Estados Unidos.
Em entrevista à publicação, Borrell acusou os líderes europeus de adotarem políticas fracas e seletivas que permitem a Washington agir sem consequências, prejudicando os interesses da Europa. Ele também direcionou críticas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmando que ela “continua a ultrapassar seus poderes” em política externa.
Segundo Borrell, a dirigente europeia seria “sistematicamente tendenciosa a favor dos EUA e de Israel”, o que, na avaliação dele, tem trazido custos econômicos para o continente, incluindo o aumento do preço da energia. Ele também criticou o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos, classificando-o como desigual para o bloco europeu.
As críticas surgem em um momento de tensões nas relações entre Washington e Bruxelas desde o retorno do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao poder. Disputas sobre comércio, defesa, regulação digital e o conflito na Ucrânia têm ampliado divisões dentro da própria União Europeia e alimentado debates sobre o papel do bloco na atual ordem internacional.


