Israel assassinou 4.192 libaneses e causou perdas bilionárias ao país
Relatório do PNUD aponta número de libaneses mortos e US$ 1,38 bilhão em danos materiais no sul do Líbano
247 - Os ataques de Israel contra o sul do Líbano deixaram 4.192 mortos, 12.171 feridos e provocaram US$ 1,38 bilhão em danos materiais à infraestrutura predial entre outubro de 2025 e abril de 2026, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgado nesta terça-feira (23).
As informações são da teleSUR. O levantamento, elaborado pelo PNUD em parceria com o Conselho Nacional Libanês de Pesquisa Científica, aponta ainda que os bombardeios geraram cerca de 3,1 milhões de metros cúbicos de entulho nas áreas atingidas, em um cenário de destruição que dificulta o retorno de centenas de milhares de deslocados a suas casas.
O estudo analisou os danos registrados ao sul do rio Litani, região que concentra alguns dos pontos mais afetados pela ofensiva israelense. Os distritos de Bint Jbeil, Marjeyoun, Nabatieh, Tiro e Saida, também conhecida como Sidon, aparecem entre as localidades com maior nível de destruição estrutural.
De acordo com o relatório, 17.891 casas foram completamente destruídas nessas áreas. Outras 5.219 residências tiveram danos parciais, enquanto 18.282 construções sofreram avarias consideradas menores. O levantamento descreve um quadro amplo de devastação urbana, com impacto direto sobre famílias impedidas de reassumir suas moradias.
A metodologia utilizada pelo PNUD comparou imagens de satélite de alta resolução capturadas em 29 de abril de 2026 com imagens de referência obtidas em 23 de outubro de 2025. A análise permitiu mapear a extensão da destruição física causada pelos ataques no sul libanês.
Apesar dos números apresentados pela ONU, o governo de Beirute considera que o balanço está abaixo da dimensão real dos prejuízos. O ministro das Finanças do Líbano, Yassin Jaber, classificou os dados como “ilógicos” e afirmou que as perdas efetivas podem ser o dobro ou mais do valor anunciado pelas Nações Unidas.
A crítica do governo libanês se concentra nas limitações do estudo. Segundo as autoridades, o relatório não inclui danos a porões e estruturas subterrâneas, além de deixar de fora a destruição de redes elétricas, sistemas de abastecimento de água, comunicações, estradas principais e pontes atingidas pelos bombardeios.
O relatório também foi divulgado em meio a novas denúncias de violações da trégua por parte de Israel. Segundo as informações publicadas, soldados israelenses realizaram um ataque contra civis que trabalhavam na desobstrução de vias públicas no bairro de Nabatieh al-Fawqa, em Deir.
O ataque ocorreu enquanto trabalhadores atuavam perto de uma escavadeira e deixou duas pessoas mortas e uma gravemente ferida. O episódio ampliou as preocupações sobre a fragilidade dos esforços internacionais de paz e sobre a continuidade da violência no território libanês.
A devastação apontada pelo PNUD reforça o peso humanitário e econômico da ofensiva israelense no Líbano, onde a destruição de moradias, serviços básicos e infraestrutura pública aprofunda a crise vivida pela população civil nas áreas atingidas.



