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Israel intensifica agressão e ataca complexo de gás do Irã

Israel amplia ataques ao Irã e atinge complexo de gás South Pars, afetando exportações petroquímicas e elevando tensões no Oriente Médio

Israel Katz em Jerusalém 7/11/2024 REUTERS/Ronen Zvulun (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

247 - Israel intensificou sua campanha militar contra o Irã ao atingir, nesta segunda-feira (6), o complexo de gás South Pars, considerado um dos principais pilares da economia energética iraniana e localizado no sul do país, em área estratégica compartilhada com o Catar. O ataque, que marca a segunda ofensiva contra a instalação desde o início do conflito, provocou explosões e pode ter impacto direto nas exportações petroquímicas iranianas, segundo a agência AFP.

Explosões foram registradas no complexo petroquímico situado na cidade de Asaluyeh, uma das regiões mais relevantes para a produção de energia do Irã. Até o momento, autoridades locais não divulgaram informações detalhadas sobre vítimas ou a extensão dos danos, mas afirmaram que a situação está “sob controle” e que os impactos estão sendo avaliados.

O campo de South Pars é parte do maior reservatório de gás natural do mundo e possui relevância global devido à sua capacidade de produção e influência nos mercados internacionais de energia. A instalação é considerada estratégica não apenas para o Irã, mas também para o equilíbrio energético regional.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou a ofensiva e classificou a ação como um golpe significativo contra a infraestrutura iraniana. Em declaração, afirmou: “As Forças Armadas acabaram de realizar um ataque poderoso à maior instalação petroquímica do Irã, localizada em Asaluyeh — um alvo central responsável por cerca de 50% da produção petroquímica do país”.

Katz também destacou o impacto econômico das ações militares recentes. “Neste momento, as duas instalações, que juntas representam aproximadamente 85% das exportações petroquímicas do Irã, foram retiradas de operação e não estão mais funcionando”, disse. Em seguida, acrescentou: “isso representa um golpe econômico severo, de dezenas de bilhões de dólares ao regime iraniano”.

O ataque ocorre poucos dias após outra ofensiva israelense contra a Zona Especial Petroquímica de Mahshahr, no sudoeste da província de Khuzestan, que deixou cinco mortos, segundo autoridades iranianas. Desde então, Israel tem ampliado sua estratégia de atingir setores industriais considerados estratégicos para a economia e capacidade militar do Irã.

Nos últimos dias, o governo israelense também afirmou ter comprometido significativamente a indústria siderúrgica iraniana. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que cerca de 70% da capacidade de produção de aço do país teria sido destruída, afetando diretamente a fabricação de equipamentos militares, como mísseis e drones.

A escalada militar ocorre em paralelo a movimentos diplomáticos. Um plano de cessar-fogo mediado pelo Paquistão foi apresentado a Estados Unidos e Irã, prevendo o fim imediato das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, seguido por negociações para um acordo de paz.

Apesar da proposta, o governo iraniano rejeitou a possibilidade de um cessar-fogo temporário e indicou que apresentará suas próprias condições, incluindo o fim definitivo das ações militares.

Enquanto isso, os confrontos continuam em diferentes pontos da região. Israel também realizou ataques no sul de Beirute, no Líbano, com alvos ligados ao Hezbollah. Segundo autoridades libanesas, ao menos 15 pessoas morreram e 39 ficaram feridas nos bombardeios realizados no domingo.

A tensão se intensifica com a proximidade do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a reabertura do Estreito de Ormuz, considerado vital para o comércio global de petróleo. O cenário reforça o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio, com impactos diretos na segurança energética mundial.

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