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Israel intercepta flotilha e leva ativistas a Creta

Mais de 100 ativistas foram levados à ilha grega após apreensão de embarcações em águas internacionais

Israel intercepta flotilha e leva ativistas a Creta (Foto: REUTERS/Stefanos Rapanis)

247 - Mais de 100 ativistas pró-palestinos foram levados para a ilha de Creta, na Grécia, após a interceptação de uma flotilha humanitária por forças israelenses em águas internacionais próximas ao país europeu. A operação ocorreu nesta sexta-feira (1º) e envolveu embarcações que seguiam em direção à Faixa de Gaza com suprimentos essenciais.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, com base em relatos dos organizadores da missão e registros visuais do deslocamento dos ativistas. Segundo essas fontes, os participantes integravam a segunda flotilha Global Sumud, iniciativa que busca romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino por meio da entrega de ajuda humanitária.

De acordo com os organizadores, um navio militar israelense transferiu 168 integrantes da flotilha para embarcações gregas. O grupo foi conduzido até a costa de Creta, onde ônibus e uma ambulância aguardavam os ativistas. Dois participantes permaneceram sob custódia das autoridades israelenses.

As embarcações haviam partido do porto de Barcelona em 12 de abril e transportavam alimentos, equipamentos médicos e outros suprimentos. Cada navio carregava cerca de uma tonelada de ajuda, segundo uma fonte que pediu anonimato. Ao todo, 22 embarcações foram interceptadas, enquanto outras 47 seguiam navegando ao sul de Creta, com planos de ancorar antes de continuar a viagem rumo a Gaza.

A interceptação ocorreu no final da quarta-feira, em águas internacionais próximas à península do Peloponeso, a centenas de milhas da Faixa de Gaza, conforme relataram os organizadores da flotilha.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou os organizadores da missão como “provocadores profissionais”. Em resposta, Alemanha e Itália divulgaram uma declaração conjunta afirmando acompanhar os acontecimentos com “profunda preocupação”.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos também se manifestou, advertindo que poderá “impor consequências” a pessoas envolvidas no apoio à flotilha, que foi descrita como pró-Hamas.

Por sua vez, os ativistas rejeitam essa classificação e afirmam que sua atuação se concentra na defesa dos direitos dos palestinos, negando qualquer vínculo com o grupo extremista.

A tentativa de envio de ajuda ocorre em meio a uma crise humanitária persistente na Faixa de Gaza. Apesar de um cessar-fogo firmado em outubro passado, organizações internacionais e autoridades palestinas apontam que o volume de assistência ainda é insuficiente.

A maior parte dos mais de dois milhões de habitantes do território foi deslocada, com muitos vivendo em estruturas improvisadas, como tendas erguidas em áreas abertas ou sobre escombros de edifícios destruídos por bombardeios.

Israel, que controla os acessos à região, nega que esteja restringindo a entrada de suprimentos, enquanto iniciativas como a flotilha Global Sumud continuam sendo organizadas como forma de ampliar a pressão internacional por ajuda humanitária.

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