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Irã ameaça resposta dolorosa se EUA retomarem ataques

Autoridades iranianas alertaram que qualquer nova ofensiva norte-americana será respondida com ações prolongadas e intensas

Manifestação popular de apoio ao Irã (Foto: Reuters)

247 - A escalada das tensões no Oriente Médio ganhou novo capítulo após o Irã ameaçar uma resposta militar direta caso os Estados Unidos retomem ataques, em meio ao impasse que mantém o Estreito de Ormuz fechado e pressiona o mercado global de energia. O bloqueio da rota estratégica, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás, agrava temores de recessão e inflação em escala global.

Segundo a agência Reuters, autoridades iranianas alertaram que qualquer nova ofensiva norte-americana será respondida com ações prolongadas e intensas, enquanto Washington avalia opções militares e tenta formar uma coalizão internacional para reabrir a via marítima.

Dois meses após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o estreito segue interditado, interrompendo cadeias de abastecimento e elevando o preço do petróleo. O barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 126 antes de recuar para cerca de US$ 114, refletindo a volatilidade do cenário.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve receber um novo briefing militar sobre possíveis ataques ao Irã com o objetivo de pressionar negociações. Ao mesmo tempo, ele reiterou que o país não poderá desenvolver armas nucleares e afirmou que os preços dos combustíveis “cairiam drasticamente” com o fim da guerra.

Ameaças e demonstrações de força

Autoridades iranianas elevaram o tom das declarações. Um alto representante da Guarda Revolucionária afirmou que qualquer ataque dos EUA resultaria em “ataques longos e dolorosos” contra posições americanas na região.

O comandante da Força Aeroespacial iraniana, Majid Mousavi, reforçou o aviso ao dizer: “Nós vimos o que aconteceu com suas bases regionais, veremos a mesma coisa acontecer com seus navios de guerra”.

Já o líder supremo Mojtaba Khamenei declarou que o país pretende manter controle sobre o Estreito de Ormuz e reagir à presença estrangeira. Em mensagem escrita, afirmou: “Estrangeiros que vêm de milhares de quilômetros de distância… não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”.

Impacto global e risco econômico

O fechamento prolongado do estreito acendeu alertas internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que a continuidade da crise pode reduzir o crescimento global, elevar a inflação e empurrar milhões de pessoas para a pobreza e a fome.

“O tempo que essa artéria vital permanecer bloqueada tornará mais difícil reverter os danos”, disse Guterres.

Além da pressão econômica, o conflito também gerou medidas de segurança regional. Os Emirados Árabes Unidos proibiram seus cidadãos de viajar para Irã, Líbano e Iraque e recomendaram o retorno imediato daqueles que estão nesses países.

Opções militares e impasse diplomático

Entre as alternativas analisadas pelos EUA está o uso de forças terrestres para assumir o controle parcial do estreito e permitir a retomada do tráfego comercial. Outra possibilidade envolve a extensão do bloqueio naval ou até uma declaração unilateral de vitória.

Paralelamente, Washington tenta articular uma coalizão internacional, chamada “Maritime Freedom Construct”, para garantir a navegação na região. Países como França e Reino Unido discutem participação, mas condicionam apoio ao fim das hostilidades.

Enquanto isso, esforços diplomáticos seguem travados. O cessar-fogo vigente desde 8 de abril não foi suficiente para destravar negociações, e mediadores internacionais, como o Paquistão, tentam evitar uma nova escalada.

Apesar das dificuldades econômicas agravadas pela guerra e pelo bloqueio das exportações de energia, analistas avaliam que o Irã ainda tem capacidade de sustentar o confronto no Golfo por algum tempo, prolongando a incerteza no cenário internacional.

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