HOME > Mundo

Trump admite possibilidade de retomar guerra com Irã

Ao mesmo tempo, o chefe da Casa Branca afirmou que o Irã “quer muito fazer um acordo”

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descarta a possibilidade de retomar a guerra contra o Irã, ao mesmo tempo em que declarou que Teerã estaria interessado em negociar um acordo. As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões e aos impactos do conflito na economia global.

As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, que acompanha em tempo real os desdobramentos da guerra e as falas do presidente norte-americano sobre o cenário militar e diplomático.

Em declaração na Casa Branca, Trump afirmou que o status das negociações é conhecido por poucas pessoas. “Você não sabe disso. Há apenas algumas pessoas que sabem o que está acontecendo com as negociações, e sou eu e mais alguns”, disse. O presidente acrescentou que o Irã “quer muito fazer um acordo”.

Incerteza nas negociações e pressão militar

Trump também indicou que, apesar de não considerar essencial retomar os combates, a possibilidade segue em aberto. “Não sei se precisamos disso [retomar a guerra]… Podemos precisar”, afirmou.

Segundo o presidente, o Irã enfrenta dificuldades em razão do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, o que, na avaliação dele, aumenta a pressão por um acordo. Ao mesmo tempo, Trump voltou a afirmar que forças norte-americanas causaram danos significativos à capacidade militar iraniana.

“Suas fábricas de drones estão cerca de 82% reduzidas, e suas fábricas de mísseis estão quase 90% reduzidas”, declarou. Ele acrescentou que “muitos de seus mísseis foram destruídos”.

Apesar dessas declarações, avaliações recentes apresentadas no Congresso dos EUA indicam que o Irã ainda mantém cerca de 40% de sua capacidade de drones e ao menos 60% de seu programa de mísseis balísticos, o que sugere potencial de resposta em caso de escalada.

Crise humanitária e críticas internacionais

O conflito já provocou forte impacto humanitário. Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), ao menos 1.701 civis foram mortos na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, incluindo 254 crianças.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou ao Senado que o país mantém um compromisso “inabalável” para evitar mortes de civis e que dispõe de “todos os recursos necessários” para isso.

Enquanto isso, o governo iraniano criticou ações de Israel, incluindo a interceptação de uma flotilha de ajuda humanitária destinada a Gaza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, classificou a operação como um ato de “pirataria” e afirmou que se trata de “um golpe na consciência desperta da humanidade”.

Na Europa, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também condenou a ação israelense. “Israel está mais uma vez violando o direito internacional ao atacar uma flotilha civil em águas que não lhe pertencem”, declarou.

Escalada militar e incertezas

Além das tensões diplomáticas, relatos da mídia iraniana indicaram a ativação de sistemas de defesa aérea em partes de Teerã, sugerindo riscos contínuos de confrontos.

Com negociações envoltas em sigilo e a possibilidade de retomada dos combates ainda sobre a mesa, o cenário permanece marcado por incertezas, tanto no campo militar quanto no diplomático.

Artigos Relacionados