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Saiba o que acontece no Oriente Médio no 63º dia da guerra de EUA e Israel contra o Irã

A região está em alerta, com impactos políticos, militares e econômicos

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

247 - A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã chega ao 63º dia com sinais de possível retomada dos combates, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e críticas do governo iraniano ao bloqueio naval imposto por Washington. O cenário mantém a região em alerta, com impactos políticos, militares e econômicos.

As informações foram publicadas pela rede Al Jazeera, que acompanha a evolução do conflito e destaca a escalada de tensões envolvendo também Israel e países do Oriente Médio.

Irã reage ao bloqueio e reforça defesa

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o cerco naval dos Estados Unidos como uma “extensão das operações militares” e afirmou que a medida é “intolerável”. Em meio à pressão, sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã após a detecção de drones e pequenas aeronaves.

Analistas ouvidos por veículos locais apontam que o país já estava preparado para sanções mais severas, com reservas estratégicas de petróleo e um mercado interno robusto, o que pode reduzir o impacto imediato das restrições econômicas.

Trump mantém ameaça de retomada da guerra

Donald Trump declarou que não descarta reiniciar o conflito. Segundo ele, os líderes iranianos “querem muito chegar a um acordo”, mas os detalhes das negociações permanecem restritos a um pequeno grupo.

O presidente também indicou que pode retirar tropas americanas da Itália e da Espanha, citando a oposição desses países à guerra, após já ter sugerido medida semelhante em relação à Alemanha.

Diplomacia travada e risco de impasse

Especialistas avaliam que dificilmente levará Washington negociará rapidamente. O general aposentado Mark Kimmitt afirmou que “a bússola não muda”, indicando que o impasse pode se prolongar, embora a pressão internacional possa estimular novas negociações.

Enquanto isso, os Estados Unidos solicitaram uma reunião entre autoridades de Israel e do Líbano após ataques israelenses que deixaram mortos no sul do território libanês, mesmo com um cessar-fogo em vigor.

Impactos humanitários e uso de tecnologia militar

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o Pentágono possui “todos os recursos necessários” para minimizar danos a civis. A declaração ocorreu após questionamentos sobre um ataque no início da guerra que teria matado cerca de 170 pessoas em uma escola primária no Irã.

Segundo ele, a supervisão humana continua presente mesmo com o uso de inteligência artificial em decisões militares.

Dados da organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã indicam que pelo menos 1.701 civis morreram no conflito, incluindo 254 crianças.

Cessar-fogo frágil e tensão regional

Autoridades americanas afirmam que as hostilidades estão oficialmente “encerradas” sob os termos da Resolução sobre Poderes de Guerra, após um cessar-fogo iniciado em 7 de abril e posteriormente prorrogado. Desde então, não houve novos confrontos diretos entre as forças dos dois países.

Ainda assim, Israel mantém postura de alerta. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o país pode “agir novamente” contra o Irã para impedir que a ameaça seja restabelecida.

No Líbano, ataques recentes deixaram mortos e feridos, incluindo civis e militares, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo na região.

Petróleo dispara com instabilidade global

A guerra também provoca efeitos significativos na economia global. Os preços do petróleo atingiram o maior nível em quatro anos, com o Brent chegando a US$ 126,41 e o WTI alcançando US$ 110,31 antes de recuar parcialmente.

A alta reflete o temor de interrupções no fornecimento e a instabilidade persistente no Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras de energia do mundo.

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