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Israel usa fósforo branco ilegalmente em ataques ao Líbano, denuncia Human Rights Watch

Uso de fósforo branco é ilegal e pode causar queimaduras graves, mortes e sofrimento permanente em civis

Fumaça sobe após ataque de Israel a Beirute, no Líbano 04/03/2026 REUTERS/Claudia Greco (Foto: REUTERS/Claudia Greco)

247 - Uma investigação divulgada nesta segunda-feira (9) pela organização Human Rights Watch (HRW) aponta que forças israelenses utilizaram fósforo branco sobre áreas habitadas no sul do Líbano, prática considerada ilegal pelo direito internacional humanitário. Imagens analisadas pela entidade indicam que o material foi disparado sobre zonas residenciais da localidade de Yohmor, provocando incêndios em residências, informa a Al Jazeera.

De acordo com o relatório da HRW, sete fotografias verificadas pela organização mostram munições contendo fósforo branco sendo disparadas sobre bairros residenciais da cidade libanesa no dia 3 de março. As imagens indicam que, após as explosões no ar, incêndios atingiram ao menos duas casas na área. A investigação inclui verificação da autenticidade das imagens e sua geolocalização, o que reforçou a conclusão de que o material foi utilizado em regiões com presença de civis.

O pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano, Ramzi Kaiss, alertou para a gravidade da situação. Segundo ele, “o uso ilegal de fósforo branco pelo exército israelense sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências graves para os civis”.

Kaiss também destacou os riscos humanitários associados ao armamento. “Os efeitos incendiários do fósforo branco podem causar morte ou ferimentos cruéis que resultam em sofrimento por toda a vida”, afirmou.

Segundo a organização, a utilização de fósforo branco em explosões aéreas — quando a munição se fragmenta no ar — torna-se particularmente perigosa em áreas povoadas. Nesses casos, o armamento pode atingir indiscriminadamente pessoas e propriedades, contrariando a exigência do direito internacional humanitário de adotar todas as precauções possíveis para evitar danos a civis.

O fósforo branco é uma substância química altamente inflamável que entra em combustão ao entrar em contato com o oxigênio. Ao se dispersar após a explosão da munição, o material pode provocar incêndios em residências, plantações e outros bens civis.

A HRW informou que verificou uma imagem divulgada pela imprensa libanesa na manhã de 3 de março, que mostrava pelo menos duas munições de fósforo branco disparadas por artilharia e explodindo no ar sobre um bairro residencial de Yohmor. De acordo com o relatório, o formato da nuvem de fumaça observada nas imagens corresponde ao padrão conhecido como “knuckle”, típico da explosão das cargas de expulsão presentes nos projéteis de artilharia da série M825, calibre 155 mm, que contêm fósforo branco.

A organização também analisou fotografias publicadas no Facebook por equipes da Defesa Civil do Comitê de Saúde Islâmico em Yohmor. As imagens mostram trabalhadores combatendo incêndios em telhados de casas e em um automóvel. A HRW concluiu que os focos de incêndio provavelmente foram causados por fragmentos de feltro impregnados com fósforo branco, lançados após a explosão das munições no ar.

Diante das evidências, Kaiss defendeu a interrupção imediata desse tipo de operação. “Israel deve interromper imediatamente essa prática e os países que fornecem armas a Israel, incluindo munições de fósforo branco, devem suspender imediatamente a assistência militar e as vendas de armas e pressionar Israel a parar de disparar essas munições em áreas residenciais”, declarou.

O contexto do relatório inclui uma escalada recente da violência no Líbano. Mais de meio milhão de pessoas foram registradas como deslocadas no país após ordens de evacuação emitidas por Israel.

Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano, ataques aéreos israelenses atingiram nesta segunda-feira os subúrbios ao sul de Beirute, incluindo áreas entre os bairros de Ghobeiry e Haret Hreik, além da região de Safir.

O documento da HRW foi divulgado poucas horas depois de as forças armadas israelenses afirmarem que estavam realizando ataques contra alvos do Hezbollah na capital libanesa. De acordo com dados citados no relatório, os bombardeios israelenses no Líbano já deixaram ao menos 394 mortos e mais de mil feridos.

A organização também pediu que aliados centrais de Israel — entre eles Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha — suspendam a venda de armamentos ao país e adotem sanções direcionadas contra autoridades envolvidas em possíveis crimes graves.

Segundo a HRW, Israel já havia empregado fósforo branco em vilarejos próximos à fronteira no sul do Líbano entre outubro de 2023 e maio de 2024, situação que, segundo a entidade, colocou civis sob risco significativo.

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