Itália investiga homem de 80 anos por suspeita de participação em "safári humano" em Sarajevo
Promotores apuram possível atuação de italiano em ataques contra civis durante conflito na Bósnia-Herzegovina na década de 1990
247 - Promotores de Milão colocaram sob investigação um cidadão italiano de 80 anos suspeito de envolvimento em um esquema conhecido como "safári humano", que, segundo denúncias, teria ocorrido em Sarajevo entre 1992 e 1995. O caso integra uma apuração iniciada no ano passado sobre alegações de que estrangeiros teriam pago para atirar contra civis durante o cerco à capital da Bósnia-Herzegovina, na guerra que se seguiu à dissolução da antiga Iugoslávia.
Segundo a agência Reuters, fontes apontaram que o investigado é um ex-caminhoneiro que reside nas proximidades da cidade de Pordenone, no norte da Itália. Ele é a primeira pessoa formalmente identificada na investigação, que apura fatos ocorridos há cerca de três décadas. O homem, cujo nome não foi divulgado, é investigado por múltiplas acusações de homicídio doloso com premeditação, agravadas por motivos considerados torpes.
Suspeito responde em liberdade e será ouvido neste domingo
As fontes não informaram se o suspeito teria participado diretamente dos assassinatos ou se teria atuado no apoio logístico, como transporte e organização das atividades. Ele responde em liberdade e foi convocado para prestar depoimento no próximo domingo (9). Durante o cerco, cerca de 11 mil civis morreram em consequência de bombardeios e tiros de atiradores posicionados em colinas ao redor da cidade, controladas por forças sérvias, segundo dados históricos do conflito.
A investigação italiana teve início após o jornalista e escritor Ezio Gavazzeni apresentar uma queixa formal às autoridades. Ele afirmou ter se interessado pelo tema após assistir ao documentário Sarajevo Safari, lançado em 2022 pelo cineasta esloveno Miran Zupanic. De acordo com o autor, estrangeiros ricos teriam pago grandes quantias para participar dessas ações.
Denúncia aponta Trieste como ponto de partida
Segundo Gavazzeni, italianos costumavam se reunir em Trieste antes de viajar para Belgrado, de onde eram escoltados por soldados sérvios da Bósnia até colinas com vista para Sarajevo. A abertura do inquérito, anunciada em novembro de 2025, reacendeu expectativas entre sobreviventes do cerco de que os responsáveis por crimes cometidos naquele período possam ser responsabilizados judicialmente.

