Itamaraty intensifica contatos no Oriente Médio após ataques ao Irã
Governo brasileiro monitora crise regional, reforça diálogo diplomático e acompanha situação de brasileiros no Líbano e em outros países
247 - O governo brasileiro ampliou o monitoramento da escalada militar envolvendo o Irã e passou a manter interlocução direta com embaixadas em pelo menos dez países do Oriente Médio. A articulação é conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores, que classifica o cenário na região como imprevisível e em constante evolução.
A maior preocupação das autoridades brasileiras recai sobre o Líbano, país que abriga a principal comunidade brasileira no Oriente Médio, estimada em cerca de 20 mil pessoas.
A tensão regional se intensificou após ataques ao território iraniano e a abertura de uma nova frente de conflito envolvendo Israel. Nesta segunda-feira (2), o porta-voz das Forças Armadas de Israel declarou que “todas as opções seguem em aberto”, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma operação terrestre no Líbano.
Diante do agravamento da situação, o governo brasileiro reiterou seu posicionamento em favor da diplomacia. Após os ataques ao Irã, o Brasil defendeu “máxima contenção” entre as partes envolvidas e sustentou que a negociação diplomática permanece como o único caminho viável para a pacificação do conflito.
O Itamaraty também alertou que a intensificação das hostilidades representa uma ameaça grave à paz e à segurança internacionais, com potenciais reflexos humanitários e econômicos. As representações diplomáticas brasileiras seguem acompanhando os desdobramentos e mantêm contato permanente com cidadãos brasileiros residentes nos países afetados. Até o momento, não há previsão de retirada dessas comunidades.
No campo diplomático bilateral, ainda não foi definida uma data para um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião vinha sendo articulada para a segunda quinzena de março, em Washington, após sucessivos contatos telefônicos entre os dois chefes de Estado e um encontro realizado na Malásia, em outubro do ano passado. O avanço das tensões no Oriente Médio, porém, acrescentou um novo elemento de apreensão à agenda diplomática.


