Japão protesta contra tarifas dos EUA e alerta para violação de normas da OMC
Governo japonês classifica medidas de Trump como "extremamente lamentáveis"
247 - O governo japonês expressou forte descontentamento com as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como "extremamente lamentáveis" e alertando que a medida pode violar as regulamentações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o acordo comercial bilateral entre os dois países.
As tarifas, anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, atingem diversos países e setores estratégicos. O Japão, apesar de ser um dos maiores investidores nos EUA, não foi poupado e agora enfrenta uma tarifa substancial de 24% sobre suas exportações para o mercado americano.
"Eu transmiti que as medidas tarifárias unilaterais tomadas pelos Estados Unidos são extremamente lamentáveis, e novamente pedi fortemente (a Washington) que não as aplique ao Japão", afirmou Yoji Muto, ministro do Comércio e Indústria japonês, em entrevista coletiva.
Muto revelou que teve uma conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, antes do anúncio oficial das tarifas, em que expressou preocupação com os impactos econômicos da decisão. Segundo o ministro, as novas barreiras tarifárias podem prejudicar tanto empresas japonesas quanto americanas, enfraquecendo a capacidade de investimentos mútuos.
"Tivemos uma discussão franca sobre como buscar cooperação no interesse do Japão e dos Estados Unidos que não dependa de tarifas", declarou Muto.
Trump, por sua vez, justificou a medida alegando que o Japão aplica tarifas elevadas aos produtos americanos. "O Japão (é) muito, muito duro. Ótimas pessoas... Eles nos cobrariam 46 por cento, e muito mais por certos itens", disse o presidente. "Estamos cobrando 24 por cento deles."
A decisão de Washington adiciona mais um capítulo à crescente tensão comercial global, com possíveis repercussões para a relação entre os dois aliados estratégicos. O Japão ainda não anunciou quais serão seus próximos passos, mas analistas avaliam que o país poderá contestar as tarifas na OMC ou buscar negociações diretas para reverter a medida.


