Justiça de Israel mantém prisão de Thiago Ávila por seis dias sem apresentar acusação
Defesa afirma que ativistas foram detidos em águas internacionais e contesta uso de provas secretas pelo tribunal
247 - A Justiça israelense decidiu prorrogar por seis dias a detenção do brasileiro Thiago Ávila e do palestino-espanhol Saif Abu Keshek, sem que haja acusação formal contra ambos. A informação foi divulgada pelo site Opera Mundi nesta terça-feira (5), com base em dados da audiência realizada no Tribunal Magistrado de Ashkelon.
A decisão foi assinada pelo juiz Yaniv Ben-Haroush, que autorizou o pedido do Estado para manter os ativistas presos até domingo (10), às 9h no horário local (3h em Brasília). Segundo a defesa, representada pela organização de direitos humanos Adalah, não há acusação formal apresentada até o momento, e a detenção ocorre exclusivamente para continuidade de interrogatórios.
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek são organizadores da Global Sumud Flotilha e foram detidos na última quinta-feira (30) em águas internacionais. A Adalah afirma que a prisão não tem base legal e contesta a aplicação da legislação israelense ao caso. Em nota, a entidade declarou que as “alegações contra eles são infundadas e não há fundamentos legais para a continuação de sua detenção”.
“A Adalah esclarece que nenhuma acusação formal foi apresentada, e sua detenção ocorre para fins de interrogatório em andamento”, informou a organização. A defesa também ressaltou que os ativistas não são cidadãos israelenses e não estavam em território sob jurisdição de Israel no momento da abordagem.
Outro ponto criticado pela defesa é o uso de provas sigilosas na decisão judicial. Segundo os advogados, parte da justificativa do tribunal se baseia em evidências que não foram disponibilizadas nem aos réus nem à equipe jurídica. “Crucialmente, o tribunal concedeu a extensão completa de seis dias solicitada pelo Estado sem impor quaisquer limitações ou restrições judiciais ao período de interrogatório”, afirmou a Adalah.
Durante uma audiência anterior, a promotoria israelense apresentou uma lista de suspeitas contra os ativistas, incluindo acusações como auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com agente estrangeiro, vínculo com organização terrorista e transferência de recursos para tais grupos. A defesa rebateu as alegações e destacou que “não há conexão entre o envio de ajuda à população civil por meio de uma flotilha humanitária e qualquer ‘organização terrorista'”.
Os dois permanecem em regime de isolamento, sob condições que, segundo a Adalah, incluem iluminação intensa permanente nas celas e uso de venda nos olhos sempre que são deslocados, inclusive para exames médicos. Ainda de acordo com a organização, ambos estão em greve de fome desde a madrugada de quinta-feira (30), ingerindo apenas água como forma de protesto contra a detenção e as condições impostas.
A Adalah informou que recorrerá imediatamente ao Tribunal Distrital para contestar a decisão e pedir a libertação imediata e incondicional dos ativistas.


