Libaneses encontram casas devastadas após cessar-fogo com Israel
“Há destruição e é impossível viver. Estamos pegando nossas coisas e indo embora novamente”, relata um morador
247 - Os primeiros deslocados pela guerra no Líbano começaram a retornar às suas casas nesta sexta-feira (17), após a entrada em vigor de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o país, embora muitos encontrem destruição e hesitem em permanecer diante da incerteza sobre a trégua, informa a agência Reuters.
O retorno ocorre em meio a um cenário de devastação generalizada, especialmente nos subúrbios ao sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, onde edifícios foram reduzidos a escombros após mais de seis semanas de intensos bombardeios israelenses ligados à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
Na região de Qasmiyeh, no sul do Líbano, moradores atravessavam o rio Litani por uma passagem improvisada, construída após a destruição de pontes durante a guerra. O último desses acessos havia sido demolido por Israel na véspera do cessar-fogo.
Apesar do retorno gradual, o clima entre os civis é de apreensão. O morador Ali Hamza relatou que sua casa ainda está de pé, mas destacou as dificuldades para retomar a rotina. “Eu inspecionei minha casa e graças a Deus o prédio ainda está de pé”, afirmou. Ainda assim, ele ponderou: “as pessoas têm medo de voltar a viver, e é impossível viver nessas condições, e com esses cheiros. Um retorno completo é difícil agora, apesar do sofrimento do deslocamento”.
A trégua foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (16), envolvendo os governos do Líbano e de Israel. No entanto, o Exército libanês denunciou violações do acordo, incluindo bombardeios esporádicos em vilarejos do sul, e recomendou que civis evitem retornar às áreas mais afetadas.
Na cidade de Nabatieh, uma das mais atingidas, moradores expressaram sentimentos divididos. Alguns decidiram permanecer, enquanto outros constataram que não havia mais condições de vida. “Há destruição e é impossível viver. Impossível. Estamos pegando nossas coisas e indo embora novamente”, disse Fadel Badreddine, que havia retornado com a esposa e o filho. Ele completou: “Que Deus nos conceda alívio e acabe com tudo isso de forma permanente — não temporária — para que possamos voltar às nossas casas e terras”.
O conflito deixou mais de 2.100 mortos no Líbano e forçou cerca de 1,2 milhão de pessoas a abandonarem suas residências, segundo autoridades locais. Do lado israelense, o governo informou que ataques do Hezbollah mataram dois civis e 13 soldados desde o início das hostilidades, em março.
Mesmo com o cessar-fogo, as divergências entre as partes permanecem. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que manterá uma “zona de segurança” no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah sustenta que a presença militar israelense no território libanês legitima o “direito à resistência”.
A expectativa agora gira em torno de negociações mais amplas. Trump declarou que pretende reunir Netanyahu e o presidente libanês, Joseph Aoun, na Casa Branca para discutir um acordo duradouro. Ainda assim, o retorno seguro e definitivo dos deslocados segue condicionado à estabilidade do cessar-fogo e à reconstrução das áreas devastadas.


