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Lula e Trump participam de foto oficial do G7 em meio a tensão sobre novo tarifaço

Presidente brasileiro acompanha cúpula na França e deve defender multilateralismo diante de medidas comerciais anunciadas por Washington

Foto da cúpula do G7 em Evian (Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira (16) da foto oficial da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, ao lado de líderes das principais economias do mundo. O registro ocorreu em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o governo norte-americano abrir uma investigação comercial que poderá resultar em novas tarifas contra produtos brasileiros.

Embora o Brasil não faça parte do G7, Lula foi convidado para participar das discussões ampliadas do encontro, prática comum adotada pelo país anfitrião para incluir nações consideradas estratégicas em determinados debates globais. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, além da União Europeia, e tem forte influência em temas como economia, segurança, clima e conflitos internacionais.

Na foto oficial, Lula apareceu ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz. Atrás dele estava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atual chefe da Casa Branca, também participou do chamado “retrato de família”, posicionando-se ao lado do anfitrião da cúpula, o presidente francês Emmanuel Macron.

Após a cerimônia, Lula conversou brevemente com Ursula von der Leyen. A expectativa era de que os dois participassem de uma reunião bilateral ainda nesta terça-feira, acompanhados pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. Durante essa conversa informal, Trump passou próximo aos líderes, mas não houve registro de cumprimento entre o presidente brasileiro e o norte-americano. Até a última atualização da reportagem original, não havia confirmação de qualquer encontro ou diálogo entre os dois durante a abertura da cúpula.

Disputa comercial amplia tensão entre Brasília e Washington

A participação de Lula no encontro ocorre em meio ao avanço de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão sustenta que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis” e que supostamente prejudicariam empresas americanas.

Entre os pontos mencionados pelo governo norte-americano estão regras relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, políticas ambientais, ações de combate à corrupção e mecanismos de proteção à propriedade intelectual. A medida ainda está em fase de consultas públicas e uma decisão definitiva é esperada para julho.

Segundo diplomatas brasileiros, Lula pretende defender durante o G7 posições contrárias ao protecionismo e ao unilateralismo nas relações internacionais. A avaliação é que o presidente buscará transmitir críticas às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sem transformar o tema em um confronto direto com Trump.

A posição brasileira também foi apresentada na semana passada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante reunião preparatória para a cúpula organizada por Emmanuel Macron. De acordo com fontes diplomáticas, o chanceler reforçou a necessidade de fortalecer instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), diante do aumento de medidas econômicas adotadas unilateralmente por alguns países.

Inteligência artificial também estará no centro dos debates

Outro tema relevante da agenda do G7 é a inteligência artificial. Um almoço dedicado ao assunto reunirá líderes e representantes internacionais para discutir os impactos da tecnologia e sua regulação.

Nesse contexto, Lula deve defender que o Brasil não promove discriminação contra plataformas digitais nem adota políticas de perseguição a empresas de tecnologia. A mensagem do governo brasileiro será a de que o país está aberto a receber investimentos e operações de companhias do setor, desde que elas respeitem a legislação nacional.

A questão ganhou relevância porque o USTR também citou decisões do Poder Judiciário brasileiro envolvendo empresas americanas de tecnologia como uma das justificativas para a abertura da investigação comercial contra o Brasil.

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