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Lula manifesta apoio a Michelle Bachelet: ‘é hora da ONU ser comandada por uma mulher’

Presidente defende nome da ex-presidente chilena para liderar a organização em meio a uma crise histórica no sistema multilateral

Michelle Bachelet e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira o apoio formal do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ex-presidente do Chile e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Bachelet entra oficialmente na disputa pela chefia da organização em um momento de transição e tensões no cenário internacional.

O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, deixará o cargo em 31 de dezembro deste ano, após completar dez anos à frente da entidade. O processo sucessório foi iniciado em novembro de 2025, período em que Bachelet já figurava como pré-candidata e, agora, formalizou sua inscrição.

“É com muita honra que o Brasil apoia a candidatura de Michelle Bachelet à Secretária-Geral da ONU. Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, escreveu o presidente.

Na mesma mensagem, Lula ressaltou a trajetória política e institucional da ex-presidente chilena. “A trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, afirmou.

Segundo Lula, a “experiência, liderança e compromisso” de Bachelet com o multilateralismo a qualificam para conduzir a ONU em um cenário internacional descrito por ele como marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos. O presidente brasileiro também associou a sucessão a uma das maiores crises enfrentadas pela organização desde sua criação no pós-guerra.

O processo ocorre em meio a pressões externas sobre o sistema multilateral. Entre elas, a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um órgão paralelo às Nações Unidas, denominado Conselho da Paz, iniciativa vista como uma tentativa de esvaziar o papel da ONU.

Michelle Bachelet enfrentará na disputa pelo cargo ao menos outros dois candidatos latino-americanos. Um deles é Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual dirigente da Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O outro é o diplomata argentino Rafael Grossi, que ocupa o posto de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). Ambos também integram o sistema das Nações Unidas.

Além do apoio do Brasil, a candidatura de Bachelet conta com o respaldo do México. No Chile, o lançamento oficial foi comemorado pelo presidente Gabriel Boric, que deixará o cargo em março. Em publicação na rede social X, Boric declarou: “Hoje, o estado do Chile, junto ao Brasil e ao México, temos a honra e o orgulho de oficializar a inscrição da candidatura de Michelle Bachelet Jeria à secretaria-geral das Nações Unidas. A ex-presidenta Michelle Bachelet encarna fielmente os valores da ONU, e esta candidatura expressa uma esperança compartilhada: que América Latina e o Caribe façam ouvir sua voz na construção de soluções coletivas aos tremendos desafios do nosso tempo”.

 

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