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Manifestações na Espanha exigem libertação de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek

Thiago Ávila e Saif Abukeshek fazem greve de fome após sequestro por forças israelenses no Mediterrâneo

Said Abu Keshek e Thiago Ávila (Foto: Lautaro Rivara/Flotilha Global Sumud)

247 - Centenas de pessoas foram às ruas de Madri e Barcelona para exigir a libertação de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, ativistas da Flotilha Global Sumud que fazem greve de fome após serem sequestrados por forças israelenses no Mediterrâneo. Os dois foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, e devem passar por uma audiência criminal que pode definir a prorrogação da detenção.

Segundo a Telesur, foram realizadas neste sábado (2), na Espanha, manifestações em que foram feitas veementes denúncias dos maus-tratos contra os ativistas. Segundo a Flotilha Global Sumud, Ávila foi torturado, espancado e maltratado, enquanto Abu Keshek permaneceu amarrado e com os olhos vendados.

A maior mobilização ocorreu diante da sede da Comissão Europeia, em Barcelona. Manifestantes carregaram bandeiras palestinas e faixas para exigir o fim da impunidade israelense e denunciaram a cumplicidade da União Europeia diante da ação contra as embarcações. Em Madri, grupos ativistas iniciaram um protesto contínuo em frente ao Ministério das Relações Exteriores da Espanha para pressionar pela libertação dos detidos.

A organização Global Sumud confirmou que o ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila foram levados para a prisão de Shikma, em Ashkelon. Ambos iniciaram greve de fome e compareceriam neste domingo, 3 de maio, ao Tribunal de Magistrados de Ashkelon, onde as autoridades israelenses pretendem pedir a extensão da detenção.

Sally, esposa de Abu Keshek, informou que o ativista apresenta ferimentos leves e está em estado de choque após ser impedido de entrar em contato com a família. O cônsul da Espanha em Tel Aviv visitou os detidos para verificar suas condições de saúde, enquanto o governo espanhol exigiu a libertação imediata de Abukeshek e o respeito ao direito internacional.

A relatora especial da ONU para o território palestino ocupado, Francesca Albanese, criticou duramente a ação israelense. Ela classificou como uma “abominação” que se permita ao “Israel do apartheid” patrulhar águas europeias e sequestrar pessoas enquanto prossegue o genocídio.

Albanese também exigiu, por meio de suas redes sociais, a libertação imediata dos ativistas. A relatora lembrou que a tomada de reféns constitui crime internacional.

A equipe jurídica da organização Adalah afirmou que Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram submetidos a maus-tratos e interrogatórios ilegais na prisão de Shikma. Após se reunir com os detidos, os advogados relataram que o brasileiro foi golpeado, arrastado e mantido vendado, o que teria provocado perda de consciência e lesões visíveis.

No caso de Saif Abu Keshek, a defesa constatou hematomas no rosto e nas mãos. Segundo os advogados, ele foi submetido a posições de estresse e permaneceu com os olhos vendados desde sua captura na quinta-feira.

A Adalah também denunciou que os dois ativistas foram interrogados por serviços de inteligência sem a presença de advogados e sem acusações formais. 

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