Manifestantes anti-ICE expulsam extrema direita em ato em Minneapolis
Protesto ocorreu dias após assassinato de Renee Good e expôs tensão em torno da política migratória nos Estados Unidos
247 - Centenas de manifestantes contrários aos abusos do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) expulsaram, neste sábado (17), um pequeno grupo de extrema direita durante um ato em Minneapolis. A mobilização ocorreu em meio ao aumento das tensões na cidade, que permanece em estado de alerta após a morte de Renee Good, baleada por um agente federal de imigração há dez dias. As informações são da agência Reuters.
Confronto entre manifestantes
Os manifestantes anti-ICE se concentraram no centro de Minneapolis, próximo à Prefeitura, empunhando cartazes e entoando palavras de ordem para que agentes do ICE e da Patrulha de Fronteiras deixassem a cidade. Em poucos minutos, dezenas de pessoas avançaram e pressionaram cerca de dez ativistas de extrema direita contra a área externa do centro administrativo municipal.
A polícia acompanhou os protestos à distância enquanto os dois grupos se enfrentavam verbalmente. Aproximadamente uma hora após o início dos atos, o contingente de extrema direita deixou o local e seguiu por alguns quarteirões até um hotel, sendo perseguido por centenas de manifestantes contrários ao ICE que gritavam insultos e exigiam que deixassem a cidade. Houve alguns empurrões e confrontos pontuais, mas sem episódios de violência grave.
Relato de tentativa de esfaqueamento
Jake Lang, influenciador de extrema direita nas redes sociais e uma das mais de 1.500 pessoas perdoadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após condenações relacionadas ao ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio, foi um dos organizadores do que classificou como um ato "antifraude".
Mais tarde, Lang afirmou em uma publicação na rede X que teria sido esfaqueado durante um confronto, mas que o golpe foi bloqueado por um colete de proteção. A Reuters não conseguiu verificar a versão apresentada. A polícia de Minneapolis não respondeu de imediato a pedidos de esclarecimento.
Protesto foi organizado pela Coalizão de Ação Popular Contra Trump
Segundo a reportagem, Trump tem citado repetidamente um escândalo envolvendo o desvio de recursos federais destinados a programas de assistência social em Minnesota como justificativa para enviar milhares de agentes de fiscalização migratória ao estado. O presidente e integrantes de seu governo também têm direcionado críticas recorrentes à comunidade de imigrantes somalis que vive na região.
"Estamos aqui para apoiar nossos vizinhos somalis, eles pediram que seus aliados brancos comparecessem", afirmou Laura, de 56 anos, que preferiu não divulgar o sobrenome por medo de retaliação do governo federal. "Estou aqui para exercer meu direito da Primeira Emenda porque meus vizinhos não conseguem, eles têm muito medo de sair de casa."
Lang já fez declarações anti-muçulmanas e antissemitas e afirma querer garantir os Estados Unidos para cristãos brancos. Ele participou de pequenos atos favoráveis ao ICE em Minneapolis nos últimos dias e tem direcionado ataques à comunidade somali, majoritariamente muçulmana.
Assassinato de Renee Good e investigação federal
Nas últimas semanas, cerca de 3.000 agentes do ICE e da Patrulha de Fronteiras foram enviados a Minneapolis e St. Paul. Renee Good, cidadã dos Estados Unidos e mãe de três filhos, foi morta após sair dirigindo quando agentes do ICE ordenaram que deixasse o veículo. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o agente envolvido foi atingido pelo carro e temeu por sua vida, embora vídeos divulgados mostrem o agente permanecendo em pé, levantando questionamentos sobre o grau de contato com o veículo.
A situação colocou a liderança democrata de Minnesota em confronto com Trump, cujo Departamento de Justiça abriu uma investigação contra o governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey.


