Marcha da extrema direita israelense em Jerusalém celebra anexação ilegal e eleva tensões na cidade
Ato celebra anexação de Jerusalém Oriental, considerada ilegal pela ONU, enquanto palestinos relatam medo de ataques, racismo e violência
247 - Jerusalém foi palco, nesta quinta-feira (14), da "marcha das bandeiras", manifestação ligada à extrema direita israelense que celebra a anexação ilegal de Jerusalém Oriental por Israel em 1967. O ato ocorreu em meio ao aumento das tensões na cidade e à mobilização de militantes pacifistas para proteger palestinos de episódios recorrentes de violência. As informações são da RFI.
A Organização das Nações Unidas (ONU) não reconhece a anexação de Jerusalém Oriental e considera a medida ilegal segundo o direito internacional. Ainda assim, setores radicais da política israelense passaram, nos últimos anos, a defender de forma aberta a expansão do projeto da chamada "Grande Jerusalém".
Entre os principais projetos em andamento está o E1, que pretende estabelecer uma continuidade territorial entre colônias israelenses e Jerusalém. O governo ultradireitista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, responsável pelo genocídio na Faixa de Gaza e pelos massacres contra o povo libanês e iraniano, também ampliou iniciativas semelhantes em áreas palestinas ocupadas próximas à cidade.
Segundo a organização israelense de direitos humanos Ir Amim, o avanço dessas políticas tem alterado o território ao redor de Jerusalém. A entidade divulgou um relatório apontando a criação de novas colônias ilegais e a expansão de assentamentos já existentes.
Vilarejos cercados por barreiras
O acesso a cidades e vilas palestinas próximas de Jerusalém também se tornou mais restrito. Dezesseis barreiras metálicas amarelas foram instaladas em estradas da região. Na Cidade Velha de Jerusalém, dezenas de militantes vestidos de branco distribuíram flores na região da Porta de Damasco durante a manhã desta quinta-feira (14).
Entre eles estava Ilan Perez, de 52 anos, que afirmou querer demonstrar solidariedade à população palestina local. "Como judeu, como sionista (…) quero que eles façam parte do país, com direitos iguais", declarou.
Comerciantes palestinos fecharam lojas ao longo do trajeto da marcha por receio de confrontos. Segundo a apuração, episódios de insultos racistas, cusparadas e vandalismo costumam ocorrer durante a passagem do cortejo da extrema direita sionista.



