Menino de 5 anos e pai são libertados após ação do ICE
Decisão judicial considerou inconstitucional a detenção de pai e filho no Texas após operação migratória ligada ao governo Trump
247 - Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e seu pai, Adrian Conejo Arias, retornaram a Minneapolis, no estado de Minnesota, neste domingo (1º), após passarem 12 dias detidos por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos. Pai e filho, ambos equatorianos, viajaram de San Antonio, no Texas, depois que a Justiça federal determinou a libertação da família de um centro de detenção localizado na cidade de Dilley.
Segundo a defesa, Adrian Conejo Arias e o filho entraram legalmente nos Estados Unidos na condição de solicitantes de asilo e não estavam em situação migratória irregular. A libertação ocorreu um dia após a decisão judicial que considerou ilegal a manutenção da família sob custódia.
A detenção ocorreu na terça-feira (20), quando Adrian Conejo Arias chegava em casa após buscar o filho na pré-escola, em um subúrbio de Minneapolis. De acordo com informações do distrito escolar público de Columbia Heights, Liam foi um dos quatro menores apreendidos por autoridades migratórias no início do mês. Durante a ação, agentes teriam solicitado que a criança batesse à porta da residência para verificar se havia outras pessoas no interior do imóvel.
O caso ganhou repercussão nacional após a circulação de uma imagem do menino usando uma mochila do personagem Homem-Aranha e um chapéu azul enquanto estava sob custódia. A fotografia provocou críticas e indignação em Minnesota e em outras regiões dos Estados Unidos, com questionamentos às práticas migratórias adotadas pela administração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
No sábado (31), o juiz federal Fred Biery, do Tribunal Federal do Oeste do Texas, determinou a libertação imediata de pai e filho. Na decisão, o magistrado apontou abuso de poder por parte das autoridades migratórias e classificou o episódio como um caso de crueldade institucional, além de considerar inconstitucional a remoção da família equatoriana.
Autoridades migratórias sustentaram que a operação tinha como objetivo a prisão de Arias, alegando que ele estaria em situação irregular no país. O ICE também afirmou que o pai teria tentado fugir no momento da abordagem, deixando o filho de cinco anos para trás. A defesa contestou essa versão e reiterou que a família possuía respaldo legal para permanecer nos Estados Unidos.
O episódio ocorre em meio a um clima de crescente tensão em Minnesota, após o governo Trump ampliar a atuação de agentes federais de imigração em operações de grande escala. A intensificação das ações tem provocado protestos, críticas de autoridades locais e ações judiciais.
Relatos indicam que o medo tem se espalhado entre comunidades de imigrantes, incluindo brasileiros com diferentes status migratórios. Há registros de famílias que permanecem em casa para evitar abordagens, veículos parados por longos períodos em frente a prédios residenciais, agentes circulando pelas ruas e troca constante de mensagens em grupos de WhatsApp sobre detenções.
Dados oficiais indicam que ao menos 157 brasileiros menores de idade foram apreendidos por agentes de imigração nos Estados Unidos entre janeiro e outubro de 2025. Desse total, 142 foram levados a centros de detenção do ICE. Entre os casos registrados estão bebês nascidos em 2024 e adolescentes de 16 e 17 anos.


