Merz pressiona por acordo UE-Mercosul e quer ratificação “o mais rápido possível”
Chanceler destaca Brasil como parceiro estratégico em cenário global complexo
247 - O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu nesta segunda-feira (20) a aceleração da ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, classificando o tratado como essencial para impulsionar o crescimento econômico e fortalecer parcerias internacionais em um cenário global mais desafiador. A declaração foi feita durante a abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), realizado em paralelo à feira industrial Hannover Messe, na Alemanha.
De acordo com informações publicadas pelo Valor Econômico, Merz destacou que o entendimento entre os blocos deve ser consolidado sem demora. “Com esse acordo da União Europeia e Mercosul, ambas as partes do Atlântico vão se beneficiar e criar mais crescimento econômico. [...] Não vamos dar um passo atrás. O processo de ratificação precisa ser concluído o mais rápido possível, só precisa de acordo na União Europeia e no Parlamento Europeu”, afirmou.
Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo entre União Europeia e Mercosul tem previsão de entrada em vigor provisória em 1º de maio, enquanto aguarda a etapa final de ratificação pelos países envolvidos. O tratado é visto como um dos mais relevantes para a ampliação do comércio entre as duas regiões.
Durante o discurso, Merz também ressaltou a importância do Brasil como parceiro estratégico no contexto internacional. “O Brasil é um parceiro importante em um mundo cada vez mais complexo. Queremos reavivar parcerias antigas. Temos acordo comum em política mundial em que podemos confiar em combinados e contribuir para a solução de problemas globais. [...] Comércio livre e justo só pode ser realizado em cima de relações consolidadas em regras”, declarou.
O chanceler ainda enfatizou o potencial econômico conjunto entre Brasil e Alemanha, destacando um mercado de cerca de 300 milhões de consumidores. Segundo ele, há espaço para ampliar significativamente o volume de comércio bilateral. “Antes do acordo [União Europeia e Mercosul], a balança comercial estava US$ 20 bilhões. Pelo tamanho das economias é muito pouco e vamos aumentar. Concordo com o presidente [Ricardo] Alban, vamos dobrar esse volume”, disse.
A proposta de expansão comercial havia sido defendida momentos antes pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que sugeriu um aprofundamento das relações entre os dois países. Em sua fala, Alban afirmou que Brasil e Alemanha devem ir além de uma parceria tradicional e atuar de forma mais integrada, “que sejam cúmplices”.


