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Michelle Bachelet lança candidatura à ONU e pede renovação global

Ex-presidente do Chile apresenta proposta para liderar ONU e defende fortalecimento do direito internacional em cenário de crise global

Michelle Bachelet é a nova chefe de Direitos Humanos da ONU (Foto: JAVIER TORRES/ATON CHILE)

247 - A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou sua candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo a necessidade de renovar a instituição e fortalecer o direito internacional em meio a um cenário de pressão sobre a ordem global. A declaração foi feita durante o primeiro diálogo interativo com delegações dos Estados-membros, etapa inicial do processo de escolha do sucessor de António Guterres.

Segundo informações divulgadas pela Telesur, Bachelet foi a primeira entre quatro candidatos a apresentar formalmente sua proposta, destacando a importância de reconstruir a confiança nas instituições internacionais e responder aos desafios contemporâneos que afetam a governança global.

Durante sua intervenção, a ex-chefe de Estado enfatizou o momento delicado enfrentado pela comunidade internacional. “Estou profundamente comovida pela confiança que depositaram em mim, neste momento de perigo e esperança”, afirmou. Ela ressaltou que a confiança nas instituições multilaterais precisa ser restaurada com urgência, diante de uma ordem mundial submetida a pressões sem precedentes.

Bachelet também recordou a experiência chilena após o golpe de 1973, destacando o papel do apoio internacional na recuperação democrática do país. “Quando precisávamos de esperança, o mundo nos ofereceu”, declarou, ao relacionar o passado do Chile com a necessidade atual de cooperação global.

Ao longo de sua apresentação, a ex-presidente destacou sua trajetória de quase duas décadas na vida pública, marcada pela tentativa de equilibrar a defesa dos direitos humanos com uma atuação pragmática. Segundo ela, esse equilíbrio é essencial para enfrentar os desafios contemporâneos relacionados à paz e ao desenvolvimento.

A candidatura de Bachelet conta com o apoio dos governos do Brasil e do México, mesmo após a retirada do respaldo por parte do atual presidente chileno, José Antonio Kast, que havia sucedido a posição anteriormente adotada por Gabriel Boric.

Após a apresentação, representantes da Assembleia Geral da ONU e de organizações internacionais participaram de uma sessão de perguntas e respostas com a candidata, abordando temas centrais da agenda global.

Além de Bachelet, outros três nomes disputam o cargo de secretário-geral da ONU. O argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, também participa do processo, assim como a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, e o ex-presidente do Senegal, Macky Sall, que devem apresentar suas propostas nos dias seguintes.

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