Ministro espanhol classifica como "extremamente estranho" acidente com trens que deixou ao menos 38 mortos
Um dos fatores que reforçam a estranheza, segundo o ministro, é o local do acidente
247 - O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, classificou como “extremamente estranho” o acidente ferroviário que deixou ao menos 39 mortos e dezenas de feridos após a colisão entre dois trens de alta velocidade no sul do país, na noite de domingo (18). O desastre ocorreu em Adamuz, próximo a Córdoba, e já é considerado o mais grave do sistema ferroviário espanhol em mais de uma década. As informações são da BBC.
Segundo Puente, o caso tem causado perplexidade entre técnicos e engenheiros especializados em segurança ferroviária.De acordo com o ministro, todos os especialistas consultados pelo governo demonstraram surpresa com as circunstâncias do acidente. “Extremamente estranho”, repetiu Puente ao afirmar que não há, até o momento, uma explicação técnica evidente para o descarrilamento seguido de colisão frontal entre as composições.
Um dos fatores que reforçam a estranheza, segundo o ministro, é o local do acidente. A colisão ocorreu em um trecho reto da ferrovia, sem curvas acentuadas, que havia passado por recente processo de renovação, com investimentos estimados em 700 milhões de euros. Além disso, um dos trens envolvidos era considerado praticamente novo, fabricado há cerca de quatro anos.
O acidente aconteceu por volta das 19h45 (horário local), cerca de uma hora após a partida do trem que saiu de Málaga com destino a Madri. Após o descarrilamento, os vagões cruzaram para a via oposta e atingiram um segundo trem que seguia no sentido contrário, de Madri para Huelva.
Segundo dados oficiais, mais de 400 passageiros e funcionários estavam a bordo das duas composições. Os serviços de emergência atenderam 122 pessoas, e 48 permanecem hospitalizadas, incluindo cinco crianças. Pelo menos 11 adultos e uma criança seguem internados em unidades de terapia intensiva.
Puente explicou que a força do impacto empurrou os vagões do segundo trem para um aterro, concentrando a maior parte das mortes e feridos nos primeiros carros da composição que seguia em direção ao sul. O modelo envolvido era o Freccia 1000, capaz de atingir velocidades de até 400 km/h, considerado um dos mais modernos da Europa.As dificuldades enfrentadas no resgate também evidenciaram a gravidade do desastre. O chefe dos bombeiros de Córdoba, Francisco Carmona, relatou à emissora pública RTVE: “Tivemos até que remover um cadáver para conseguir chegar a alguém com vida. É um trabalho difícil e complicado”.Passageiros sobreviventes relataram momentos de pânico. O jornalista Salvador Jimenez, que estava em um dos trens, comparou o impacto a um abalo sísmico. “Eu estava no primeiro vagão. Houve um momento em que senti como se fosse um terremoto e o trem realmente descarrilou”, afirmou.
Após o acidente, todos os serviços ferroviários de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foram suspensos. A administradora da rede, Adif, informou que a interrupção deve durar ao menos toda esta segunda-feira (19), enquanto equipes técnicas avaliam as condições da linha.O ministro dos Transportes destacou que a investigação será aprofundada e que as causas do acidente ainda não são conhecidas.
Segundo ele, o inquérito não deve ser concluído em menos de um mês, dada a complexidade do caso e a necessidade de análise detalhada dos sistemas de controle, trilhos e material rodante.Autoridades espanholas e líderes internacionais manifestaram solidariedade às vítimas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que o país viveu “uma noite de profunda dor”, enquanto o rei Felipe VI e a rainha Letizia divulgaram nota expressando condolências às famílias dos mortos e apoio aos feridos.
Enquanto a Espanha tenta entender como um acidente considerado “inexplicável” pôde ocorrer em uma linha moderna e recém-reformada, familiares das vítimas seguem em busca de respostas — as mesmas que, segundo o próprio governo, ainda desafiam os especialistas do setor ferroviário.
