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Modi visita Israel em meio a tensão EUA-Irã e amplia foco em defesa e inteligência artificial

No eixo substantivo da agenda, as conversas devem contemplar inteligência artificial e defesa.

Narendra Modi e Benjamin Netanyahu (Foto: Reuters)

247 – O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, chega a Israel nesta quarta-feira para uma visita de dois dias que Nova Déli e Tel Aviv apresentam como oportunidade de aprofundar relações em áreas como defesa e inteligência artificial, num momento de crescente preocupação regional com o risco de conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã.

A informação foi publicada pela agência Reuters, que destaca que o encontro ocorre enquanto Washington amplia sua presença militar perto da costa iraniana e as negociações sobre o programa nuclear de Teerã seguem em impasse, elevando o temor de uma escalada com efeitos diretos sobre Israel e sobre a segurança no Oriente Médio.

Retomada de uma aproximação iniciada em 2017

Modi foi o primeiro chefe de governo indiano a visitar Israel, em 2017, numa viagem que marcou uma virada simbólica na relação bilateral. Quase nove anos depois, os dois líderes seguem no poder e devem se reunir novamente para discutir novas frentes de cooperação.

A Reuters lembra que, em 2017, Modi e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exibiram proximidade política e pessoal durante a agenda em Haifa, no norte do país. Agora, a expectativa é que os dois retomem o discurso de parceria estratégica com ênfase em inovação tecnológica e no setor militar, em linha com o interesse israelense de ampliar exportações de defesa.

Um funcionário do governo israelense afirmou que a visita vai “abrir caminho para novas parcerias e colaborações em muitos campos”. Já um representante do Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que os laços bilaterais estavam “à beira de uma atualização significativa”, segundo o relato da Reuters.

Agenda oficial: Knesset, Yad Vashem e conversas sobre tecnologia e defesa

A programação, ainda de acordo com a Reuters, inclui a previsão de Modi discursar no Knesset, o parlamento israelense, além de participar de cerimônias protocolares. Modi também deve depositar uma coroa de flores em Yad Vashem, memorial oficial do Holocausto em Israel, gesto carregado de simbolismo político e diplomático.

No eixo substantivo da agenda, as conversas devem contemplar inteligência artificial e defesa. A coincidência temporal com a busca israelense por ampliar exportações militares confere peso adicional ao encontro, sobretudo porque a Índia é historicamente um grande comprador de equipamentos de defesa no mercado internacional e tem demonstrado interesse em tecnologias de vigilância, proteção e sistemas avançados.

Embora a Reuters não detalhe quais projetos específicos estão sobre a mesa, o enquadramento do encontro como “aprofundamento” sugere a tentativa de consolidar uma cooperação que vá além da compra e venda de equipamentos e alcance pesquisa, desenvolvimento e integração tecnológica — uma área em que Israel busca se posicionar como fornecedor estratégico.

O pano de fundo: reforço militar dos EUA perto do Irã

O contexto regional é o elemento central que torna a visita politicamente sensível. A Reuters informa que os Estados Unidos estão deslocando uma grande força naval para perto da costa do Irã antes de possíveis ataques à República Islâmica, enquanto as conversas sobre o programa nuclear iraniano permanecem travadas. O Pentágono, segundo a reportagem, também deslocou um porta-aviões para o Mediterrâneo, com destino à costa israelense.

Esse movimento, caso se converta em ação militar, pode desencadear retaliações iranianas contra Israel e também contra instalações militares dos EUA em países árabes do Golfo. Para a Índia, isso não é apenas uma questão geopolítica abstrata: milhões de indianos vivem e trabalham em países do Golfo e enviam para casa remessas bilionárias todos os anos — um fluxo econômico vital, que pode ser afetado por instabilidade prolongada.

Kabir Taneja, da Observer Research Foundation, centro de estudos indiano citado pela Reuters, resumiu a preocupação de Nova Déli com o risco de escalada. “Nova Déli não quer ver conflito na região”, afirmou. E acrescentou, sobre a postura indiana em contatos com atores envolvidos: “Tenho certeza de que esse tipo de mensagem foi entregue no passado e será entregue durante esta visita também.”

A leitura implícita é que a Índia tenta preservar canais com parceiros distintos e evitar que uma crise regional ameace seus cidadãos no exterior, seus interesses energéticos e a estabilidade de rotas comerciais cruciais.

Netanyahu fala em “eixo” e Índia sinaliza cautela com alianças formais

Do lado israelense, a Reuters aponta que a visita deve incluir conversas com um “aspecto regional”, como afirmou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Essa dimensão aparece com clareza nas declarações recentes de Netanyahu.

Em reunião de gabinete nesta semana, Netanyahu descreveu a Índia como parte de um futuro “eixo” de nações “com ideias semelhantes”, voltadas a enfrentar o que ele chamou de “o eixo radical xiita” e o “eixo radical sunita emergente”. O Irã, governado por uma teocracia xiita, figura como referência nesse enquadramento.

Netanyahu também projetou ganhos diretos da coordenação entre os dois países. “(Nossa) cooperação pode gerar grandes resultados e, claro, garantir nossa resiliência e nosso futuro”, disse ele, segundo a Reuters.

Ainda assim, a reportagem registra que a Índia tende a agir com prudência quando o tema é integração a blocos ou alianças formais. Kabir Taneja avaliou que, apesar do interesse indiano em adquirir equipamentos militares israelenses, Nova Déli hesitaria em aderir a uma aliança formal, devido à sua tradição de não alinhamento em assuntos internacionais.

Esse ponto é decisivo para entender a visita: ela pode aprofundar cooperações práticas — como tecnologia, defesa e inovação — sem necessariamente significar alinhamento automático a estratégias regionais de confronto. Em um Oriente Médio atravessado por rivalidades e por movimentações militares de grande escala, essa diferença entre “parceria” e “aliança” tende a ser objeto de leituras, disputas e negociações de bastidores.

O que a viagem sinaliza para o Oriente Médio e para a política externa indiana

A presença de Modi em Israel, em meio ao aumento das tensões entre EUA e Irã, reforça a mensagem de que Índia e Israel buscam dar densidade estratégica a uma relação já consolidada, sem perder de vista os riscos do tabuleiro regional. Para Israel, o momento é de tentar ampliar mercados e alianças políticas num cenário de ameaças percebidas como existenciais. Para a Índia, é a oportunidade de avançar em tecnologia e defesa, ao mesmo tempo em que procura evitar uma crise que reverbere sobre sua diáspora e sobre sua economia.

Ao final da visita, a leitura sobre o alcance do encontro dependerá menos das cerimônias e mais do conteúdo efetivo das conversas sobre inteligência artificial, defesa e coordenação regional — temas que, segundo a Reuters, estarão no centro do diálogo entre Modi e Netanyahu durante os dois dias em Israel.

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