'Não vale a pena lutar por um país que acha aceitável matar crianças', diz Tucker Carlson
Jornalista afirma que EUA devem “agir com honra” e admitir erro se civis morreram em bombardeio; ataque a escola iraniana teria deixado mais de 160 mortos
247 - O jornalista americano Tucker Carlson afirmou que os Estados Unidos precisam esclarecer sua possível participação no bombardeio de uma escola no Irã e admitir responsabilidade caso o ataque tenha causado mortes de civis. As declarações foram feitas durante seu podcast publicado no YouTube, segundo reportagem da RT.
Carlson comentou o ataque ocorrido em 28 de fevereiro na cidade de Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de uma ofensiva militar em larga escala conduzida por Estados Unidos e Israel contra o país persa. De acordo com relatos divulgados por autoridades iranianas, mais de 160 pessoas morreram no bombardeio.
Durante o podcast, o jornalista afirmou que Washington não pode reivindicar superioridade moral se evitar reconhecer possíveis mortes de civis. Para ele, caso as estudantes tenham morrido em decorrência do ataque, o governo americano deveria admitir publicamente o erro.
“Porque se você acorda de manhã e está vivendo em um país que acha aceitável matar não apenas oficiais militares, mas também suas filhas, esse país não vale a pena lutar por ele”, declarou Carlson.
Investigações conduzidas por veículos de imprensa dos EUA indicaram que o ataque pode ter sido realizado com um míssil de cruzeiro Tomahawk cruise missile lançado pelos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, no entanto, rejeitou essa versão e sugeriu que o próprio Irã poderia ter sido responsável pela explosão.
Carlson afirmou que o país deve “agir com honra” caso queira manter credibilidade moral internacional. Segundo ele, se a morte das estudantes ocorreu de forma acidental, a postura correta seria reconhecer o fato em vez de negar envolvimento.
O jornalista também defendeu uma investigação completa sobre o episódio para determinar se o bombardeio foi de fato um “erro trágico”. Ele mencionou que a escola ficava ao lado de um complexo militar iraniano e que, segundo informações disponíveis, seria frequentada por filhos de oficiais do país.
Enquanto a discussão sobre o ataque continua, pesquisas indicam resistência da opinião pública americana à guerra contra o Irã. Uma análise publicada pelo jornal The New York Times apontou que o apoio popular ao conflito é o mais baixo entre operações militares dos EUA no exterior desde a Segunda Guerra Mundial.
Levantamento realizado pela Reuters em parceria com o instituto Ipsos no início de março mostrou que apenas um em cada quatro americanos aprova o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Apesar disso, Trump minimizou os resultados das pesquisas. O presidente afirmou que precisa “fazer a coisa certa” e impedir que o Irã obtenha armas nucleares — acusação que o governo iraniano nega reiteradamente.
Carlson, que no passado frequentemente apoiou as políticas de Trump, classificou a guerra contra o Irã como “absolutamente repugnante e maligna”. Em resposta, Trump afirmou que o jornalista “se perdeu” e declarou que ele não faz parte do movimento Make America Great Again (MAGA).


