Três navios são atingidos por projéteis no estreito de Hormuz e crise ameaça fluxo global de petróleo
Novos ataques elevam para ao menos 14 o número de embarcações atingidas desde o início do conflito com o Irã
247 – Três embarcações foram atingidas por projéteis de origem não identificada no estreito de Hormuz nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, em mais um episódio da escalada militar que já compromete severamente a navegação em uma das passagens marítimas mais sensíveis do planeta. As informações foram publicadas pela agência Reuters, com base em relatos de empresas de segurança marítima, operadores navais e companhias de navegação.
Segundo a Reuters, os novos ataques elevaram para pelo menos 14 o número de navios atingidos na região desde o início do conflito envolvendo o Irã. O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, vive um cenário de quase paralisação desde que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao território iraniano, em 28 de fevereiro. O impacto imediato já se reflete no mercado internacional, com os preços do petróleo alcançando os níveis mais altos desde 2022.
Cargueiro tailandês pega fogo e tem três tripulantes desaparecidos
O caso mais grave desta quarta-feira envolveu o navio graneleiro Mayuree Naree, de bandeira tailandesa. A embarcação foi atingida por “dois projéteis de origem desconhecida” enquanto navegava pelo estreito, informou em comunicado a Precious Shipping, sua operadora, listada na Bolsa da Tailândia.
O ataque provocou incêndio a bordo e atingiu a casa de máquinas do navio. A empresa relatou que “três tripulantes são dados como desaparecidos e acredita-se que estejam presos na casa de máquinas”.
Em outro trecho do comunicado, a companhia afirmou: “A empresa está trabalhando com as autoridades competentes para resgatar esses três tripulantes desaparecidos”. Ainda de acordo com a operadora, os outros 20 integrantes da tripulação foram evacuados com segurança e estão em terra, em Omã.
Imagens divulgadas pela Marinha da Tailândia mostraram uma espessa fumaça preta saindo da parte traseira do cargueiro, indicando a gravidade do dano sofrido pela embarcação.
Outros dois navios também foram atingidos
Além do Mayuree Naree, outras duas embarcações sofreram danos menores no mesmo dia, segundo empresas de segurança marítima.
O navio porta-contêineres ONE Majesty, de bandeira japonesa, foi atingido por um projétil não identificado a cerca de 25 milhas náuticas a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. O proprietário japonês, Mitsui O.S.K. Lines, e um porta-voz da Ocean Network Express (ONE), fretadora do navio, disseram que a embarcação foi atingida enquanto estava fundeada no Golfo.
Após inspeção no casco, foram constatados danos leves acima da linha d’água. As empresas afirmaram que todos os tripulantes estão em segurança e que o navio segue plenamente operacional e em condições de navegabilidade. A causa exata do incidente, porém, ainda está sob investigação.
O terceiro caso envolveu o graneleiro Star Gwyneth, de bandeira das Ilhas Marshall, atingido por um projétil a aproximadamente 50 milhas a noroeste de Dubai. A empresa de gestão de risco marítimo Vanguard informou que o impacto danificou o casco da embarcação. A Star Bulk Carriers, proprietária do navio, afirmou que o projétil atingiu a área de porão enquanto a embarcação estava ancorada. Não houve feridos nem inclinação da estrutura.
Estreito de Ormuz vira epicentro de uma crise global
A repetição dos ataques confirma que os navios mercantes continuam em plena linha de fogo no estreito de Hormuz, corredor vital para o comércio global de energia. A situação se deteriorou rapidamente desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, transformando a região em um dos pontos mais explosivos do sistema internacional.
A Guarda Revolucionária do Irã advertiu que qualquer navio que atravesse o estreito poderá ser alvejado. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intensificar os ataques norte-americanos caso o Irã continue a dificultar a passagem na rota marítima.
O impasse militar tem provocado um estrangulamento logístico de grandes proporções. Com o risco crescente de novos ataques, a navegação comercial no estreito praticamente travou, interrompendo embarques estratégicos e colocando em xeque uma cadeia global de abastecimento que já vinha pressionada por tensões geopolíticas e alta volatilidade energética.
Indústria naval cobra escolta, mas Marinha dos EUA recua
Em meio ao agravamento da crise, a indústria do transporte marítimo tem feito pedidos quase diários por escolta militar para a travessia do estreito de Hormuz. No entanto, segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Marinha dos Estados Unidos vem recusando essas solicitações desde o início da guerra contra o Irã, sob o argumento de que o risco de ataques ainda é alto demais neste momento.
A posição expõe a gravidade do quadro de insegurança no Golfo. Apesar disso, Donald Trump declarou que os Estados Unidos estão prontos para fornecer escolta naval sempre que necessário. Na prática, porém, a ausência de uma operação estável de proteção tem deixado armadores e tripulações expostos em uma região marcada por ameaças cada vez mais explícitas.
Petróleo dispara e tensão amplia temor de choque econômico
O estreito de Ormuz ocupa posição central no sistema energético internacional. Uma interrupção prolongada em seu funcionamento afeta diretamente o escoamento de petróleo e gás do Oriente Médio, pressionando preços, elevando custos logísticos e ampliando o risco de choque inflacionário em diversas economias.
Com a navegação perto da estagnação e o número de embarcações atingidas em rápida alta, a crise já deixou de ser apenas um problema regional e passou a representar uma ameaça concreta à estabilidade econômica global. O ataque simultâneo a três navios em um único dia reforça que o conflito entrou em uma fase ainda mais perigosa, na qual o comércio marítimo civil se converte em alvo direto da confrontação geopolítica.


