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Marinha dos EUA diz que escolta a navios no estreito de Ormuz não é possível no momento

Avaliação militar aponta alto risco de ataques em meio à guerra contra o Irã e paralisação do tráfego de petróleo

Porta-aviões USS Gerald Ford (Foto: Marinha dos EUA/Divulgação )

247 - A Marinha dos Estados Unidos tem rejeitado pedidos frequentes da indústria de transporte marítimo para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra contra o Irã, alegando que o nível de risco para ataques ainda é elevado. A avaliação militar ocorre em um momento em que o fluxo de embarcações pela principal rota energética do mundo está praticamente paralisado.

Segundo reportagem da agência Reuters, executivos do setor naval têm solicitado quase diariamente proteção militar para atravessar o estreito, mas autoridades da Marinha norte-americana informaram em reuniões com representantes da indústria que as escoltas não são possíveis neste momento devido à ameaça de ataques.

O bloqueio da rota marítima começou após o início da guerra dos  Estados Unidos e Israel contra o Irã, há pouco mais de uma semana. A interrupção do tráfego afeta diretamente cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente, pressionando os preços internacionais da commodity para níveis não registrados desde 2022.

De acordo com fontes do setor marítimo ouvidas pela Reuters, a posição da Marinha foi reiterada em reuniões informativas realizadas com empresas de transporte e energia. Nessas discussões, representantes militares afirmaram que o fornecimento de escoltas só poderá ser considerado quando o risco de ataques diminuir.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado publicamente que o país está preparado para garantir a passagem segura de petroleiros pela região caso seja necessário. 

Apesar da afirmação do presidente dos Estados Unidos, autoridades militares indicam que as opções ainda estão sendo analisadas. O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, afirmou que o Pentágono avalia diferentes cenários para uma eventual operação de escolta naval.

“Estamos analisando uma série de opções nesse caso”, disse Caine a jornalistas no Pentágono.

Até o momento, segundo um funcionário do governo norte-americano ouvido pela Reuters, nenhum navio comercial foi escoltado pela Marinha dos Estados Unidos através do estreito de Ormuz desde o início da guerra.

A paralisação da navegação no Estreito de Ormuz ocorre após ameaças diretas de autoridades iranianas. Um alto funcionário da Guarda Revolucionária afirmou à imprensa iraniana que a passagem estaria fechada e que qualquer embarcação que tentasse atravessar poderia ser alvo de ataques. Relatos indicam que alguns navios já foram atingidos.

Com a escalada militar, centenas de embarcações permanecem ancoradas aguardando condições de segurança para retomar a travessia.

Especialistas em segurança marítima afirmam que garantir a proteção da rota será uma tarefa complexa mesmo com eventual participação de uma coalizão internacional. O diretor do Instituto Europeu de Estudos sobre Oriente Médio e Norte da África, Adel Bakawan, destacou as dificuldades operacionais.

“Nem a França, nem os Estados Unidos, nem uma coalizão internacional ou qualquer outro ator estão em posição de garantir a segurança do Estreito de Ormuz.”

Analistas apontam que o Irã possui capacidade de lançar minas marítimas e drones de ataque de baixo custo, o que dificulta a proteção contínua da via marítima.

Na avaliação de especialistas do setor de segurança marítima, uma operação para garantir a navegação poderia exigir inclusive controle militar da extensa costa iraniana. Um deles afirmou que o número atual de embarcações militares disponíveis não seria suficiente para assegurar a região.

O agravamento da crise também preocupa grandes produtores de petróleo. A Aramco, estatal saudita e maior exportadora mundial da commodity, alertou que a continuidade da guerra e das interrupções no Estreito de Ormuz pode provocar “consequências catastróficas” para o mercado global de petróleo.

Diante da escalada de tensões, o Pentágono voltou a ameaçar ampliar ataques contra o Irã caso o fluxo de petróleo pela rota estratégica não seja restabelecido. Autoridades militares afirmaram que forças norte-americanas estão atingindo embarcações iranianas utilizadas para lançamento de minas e instalações de armazenamento desses armamentos.

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