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Navios chineses dão meia-volta e adiam embarque de petróleo venezuelano

Dados de navegação indicam recuo de superpetroleiros e reforçam incertezas sobre exportações diretas da Venezuela ao principal mercado asiático

Navios chineses dão meia-volta e adiam embarque de petróleo venezuelano (Foto: PDVSA)

247 - Dois superpetroleiros de bandeira chinesa que navegavam em direção à Venezuela para carregar petróleo destinado ao pagamento da dívida com a China mudaram repentinamente de rota e retornaram à Ásia, segundo dados de navegação marítima. O movimento evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria petrolífera venezuelana para retomar exportações diretas ao seu maior comprador, em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com a agência Reuters, que teve acesso aos dados da LSEG Shipping, as embarcações haviam sido mobilizadas para transportar cargas de petróleo vinculadas ao serviço da dívida venezuelana com o governo chinês. A mudança de rumo ocorre apesar do anúncio recente de Washington autorizando a exportação de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam armazenados.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a China não seria privada do petróleo da Venezuela, embora não tenha detalhado de que forma o fornecimento ocorreria. Ainda assim, a China — principal destino do petróleo venezuelano — não recebe cargas diretamente da estatal PDVSA desde o mês passado, uma vez que o embargo energético norte-americano permanece em vigor.

Enquanto isso, as tradings globais Vitol e Trafigura se preparam para enviar as primeiras cargas do acordo estimado em US$ 2 bilhões, anunciado recentemente. Essas remessas devem seguir para os Estados Unidos e outros mercados, como Índia e China. As negociações podem, ao final, beneficiar refinarias chinesas, caso as empresas consigam fechar acordos diretos com compradores no país asiático.

Os superpetroleiros Xingye e Thousand Sunny, ambos sem histórico de sanções, permaneceram ancorados no Oceano Atlântico por semanas, aguardando instruções em meio ao bloqueio e à crise política venezuelana, agravada pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. As embarcações fazem parte de um grupo restrito de três navios dedicados exclusivamente à rota Venezuela–China, utilizada para o transporte de petróleo destinado ao pagamento da dívida bilateral.

Os empréstimos chineses integram a dívida total da Venezuela com Pequim, que já foi seu principal financiador internacional. Após a imposição das sanções energéticas norte-americanas em 2019, a China concedeu um período de carência para os pagamentos em dinheiro e negociou com Caracas um acordo temporário para que o serviço da dívida fosse quitado por meio de cargas de petróleo.

Dados internos da PDVSA indicam que, no ano passado, a China foi o principal destino do petróleo venezuelano, com exportações de cerca de 642 mil barris por dia, o equivalente a três quartos do total exportado pelo país, que somou 847 mil barris diários. A maior parte desse volume acabou sendo processada por refinarias independentes chinesas, por meio de intermediários pouco conhecidos, enquanto as cargas destinadas especificamente ao pagamento da dívida representaram apenas uma fração desse total.

A PDVSA não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre a mudança de rota dos navios.

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