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Ação de Trump na Venezuela é peça de propaganda para explorar o petróleo, diz Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO afirma que “sequestro” de Maduro abriu caminho para acordo de compra de petróleo

Rui Costa Pimenta e Donald Trump (Foto: REUTERS | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

247 – Em entrevista à TV 247, concedida na sexta-feira, 9 de janeiro, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, avaliou que a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela teria sido conduzida sobretudo como “golpe de propaganda” para viabilizar um movimento econômico em torno do petróleo venezuelano. A conversa também passou pela política brasileira, pelo 8 de janeiro, pelo cenário eleitoral de 2026 e por disputas envolvendo o Banco Master.

Na leitura do dirigente partidário, o episódio envolvendo Nicolás Maduro deve ser entendido menos como demonstração de força militar e mais como uma operação voltada a criar condições políticas para negócios com o petróleo do país. “A ação norte-americana na Venezuela foi um golpe de propaganda”, disse.

“Eles precisam do petróleo”, afirma Rui

Ao tratar do que chamou de “desinformação” na cobertura internacional, Rui afirmou que versões sobre “traição” e “capitulação” seriam, em grande medida, parte de “fofoca” e “intriga” que favoreceria o trumpismo. Ele sustentou que, no essencial, Washington teria explorado uma brecha de segurança, mas sem capacidade real de impor uma mudança de regime pela força.

“Os Estados Unidos precisam do petróleo da Venezuela”, declarou. E completou, ao justificar por que considera improvável uma solução “à força”: “Eles não podiam conseguir esse petróleo à força”.

Rui também afirmou que o movimento teria servido para “justificar esse acordo econômico de compra do petróleo”. Em sua formulação: “Eu acho que eles sequestraram Maduro para poder justificar esse acordo econômico de compra do petróleo”.

Em seguida, descreveu como imagina a sequência: “O Trump sequestrou Maduro, em seguida procurou o governo e falou assim: ‘Eu vou comprar o petróleo de você e suspender parcialmente o embargo’. O governo da Venezuela falou: ‘Tudo bem, se você vai comprar, eu vendo’”.

Bloqueio e sanções: “Suspensão parcial” como consequência prática

Ao comentar os impactos econômicos, Rui insistiu que o principal efeito imediato seria a flexibilização do bloqueio. “Isso significa na prática uma suspensão parcial do bloqueio econômico”, afirmou, ao analisar a proposta de compra de petróleo pelos EUA.

Questionado sobre exigências comerciais associadas ao acordo, ele minimizou o ponto e disse ver vantagem para Caracas: “Não, eu acho que tudo bem, é um bom acordo para Venezuela”.

“Duramente repudiado”: cobrança por reação do governo Lula

Apesar de reconhecer que uma eventual flexibilização do bloqueio pode melhorar condições materiais, Rui separou o tema econômico do que classificou como agressão política e diplomática. “A Venezuela está sob a agressão do imperialismo”, disse.

Na sequência, cobrou postura mais contundente do governo brasileiro: “Então isso tem que ser duramente repudiado, tá? Duramente repudiado”. E foi direto ao apontar o que considera a principal medida: “Nós temos que exigir a libertação do Maduro. O governo brasileiro não exigiu isso até agora”.

Ele também criticou o que chamou de declarações “platônicas” do presidente Lula e defendeu mobilização pública: “Eu acho, por exemplo, que o PT no Brasil deveria fazer o que nós estamos fazendo, que é convocar manifestações de apoio à Venezuela”.

Margem Equatorial: crítica dura aos que rejeitam exploração de petróleo

No trecho em que comenta a disputa sobre petróleo no Brasil, Rui atacou setores ambientalistas e ONGs que se opõem à exploração na Margem Equatorial. “Olha, na avaliação mais benigna, eles estão delirando”, afirmou. Em seguida, endureceu: “Na avaliação menos benigna, serviço dos dos produtores de petróleo, ou seja, a serviço das grandes petroleiras”.

8 de janeiro e “jogo de cena”: crítica ao “acordão” e à dosimetria

No bloco sobre política interna, Rui afirmou ver encenação no debate sobre punições ligadas ao 8 de janeiro e ao tema da dosimetria. “Eu acho que todo esse processo é jogo de cena”, disse. Para ele, o veto de Lula seria um gesto voltado a “jogar para a torcida”: “É uma medida política do Lula jogando paraa torcida na realidade”.

Ao avaliar o destino do veto, foi categórico: “Eu acho que vai cair. É natural”. E acrescentou, sobre o sentido do movimento: “O veto não tem maiores consequências”.

Eleição de 2026 e bolsonarismo: “Tudo jogo de cena”

Provocado sobre cenário eleitoral, Rui evitou cravar um quadro definitivo, mas comentou sinais envolvendo Flávio Bolsonaro. “Ele tá gostando, tá gostando, tá fazendo acenos para o mercado financeiro”, afirmou, descrevendo uma tentativa de se projetar como alternativa mais “palatável” ao grande capital.

Sobre eventual risco de transformar Jair Bolsonaro em “mártir” caso a repressão avance, Rui voltou a criticar a lógica punitiva: “Eu não sou partidário da repressão política como método para a esquerda”. E reforçou: “Eu acho que a própria prisão do Bolsonaro é negativa pra esquerda”.

Trump, imperialismo e “luta de classes”: a tese de Rui

Ao responder críticas de que estaria “separando Trump do imperialismo”, Rui tentou demarcar sua análise. “O Trump é presidente dos Estados Unidos. Como presidente dos Estados Unidos, inevitavelmente ele vai ter que agir”, disse, antes de afirmar: “O Trump não é um homem do aparato imperialista norte-americano”.

Ele também argumentou que a avaliação política não deveria ser “teologia”. “A análise política não pode ser feita assim, tem que ser feita sobre a base da análise das classes sociais e da luta de classes”, afirmou.

Banco Master, Temer e “centrão”: “Gangrena da política nacional”

No fim, o tema Banco Master entrou na conversa como exemplo de disputa econômica e política. Rui afirmou que o caso “vai continuar” e descreveu a briga como “uma guerra do dos bancos grandes contra um setor secundário aí da burguesia”.

Quando o entrevistador mencionou Michel Temer como articulador de interesses, Rui reagiu: “Se o Michel Temer tá na parada, isso significa que um setor importante do regime político tá envolvido com o Banco Masters”. E, ao comentar o centrão, disparou: “Isso daí é uma gangrena da política nacional”. Sobre Temer, completou: “É o conde Drácula da política nacional”.

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