No 41º dia de guerra, Israel promove escalada contra o Líbano e crescem divergências sobre cessar-fogo entre EUA e Irã
O Líbano declarou luto nacional após uma onda de ataques israelenses que matou pelo menos 254 pessoas e feriu mais de 1.165 em um único dia
247 - O Líbano registrou o dia mais letal da guerra no 41º dia de conflito, com uma ofensiva israelense que deixou centenas de mortos e aprofundou a instabilidade no Oriente Médio, em meio a divergências sobre os termos de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e à ampliação das tensões na região do Golfo.
Segundo a rede Al Jazeera, ao menos 254 pessoas morreram e 1.165 ficaram feridas em ataques israelenses contra o Líbano em um único dia, levando o governo a decretar luto nacional e intensificar esforços diplomáticos para conter a escalada militar.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que mobiliza “todos os recursos políticos e diplomáticos do Líbano para deter a máquina de matar israelense”. O episódio marcou a fase mais violenta da guerra israelense contra o país, que ocorre paralelamente à guerra mais ampla envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Divergências sobre cessar-fogo
O acordo de cessar-fogo anunciado entre Washington e Teerã tornou-se foco de controvérsia. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o Líbano não está incluído no entendimento. A posição foi reforçada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que afirmou: “Nunca fizemos essa promessa”.
Em contraste, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, sustenta que o acordo previa uma pausa nos combates também no território libanês. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reforçou essa interpretação ao afirmar que os “termos são claros” e advertiu que Washington precisa escolher entre um cessar-fogo ou “uma guerra contínua por meio de Israel”. Segundo ele, “não pode ter ambos”.
Autoridades iranianas também criticaram o andamento das negociações. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que um cessar-fogo é “inviável” diante de violações, incluindo ataques no Líbano, incursões aéreas e disputas sobre o programa nuclear iraniano.
Pressão internacional e reação da ONU
A ofensiva no Líbano provocou forte reação internacional. O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, afirmou que “a escala das mortes e da destruição no Líbano hoje é nada menos que horrível”. Ele acrescentou: “Tal carnificina, poucas horas após concordar com um cessar-fogo com o Irã, desafia a compreensão”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, tem buscado incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo, defendendo a medida como o “melhor caminho para a paz”. Países como Omã e Catar também condenaram os ataques, classificando-os como violações do direito internacional.
Escalada no Golfo
A guerra também se estende ao Golfo, com ataques atribuídos ao Irã atingindo infraestrutura estratégica. O Kuwait relatou danos severos em instalações petrolíferas e usinas, enquanto os Emirados Árabes Unidos registraram incêndios após a interceptação de projéteis.
O Catar informou ter interceptado sete mísseis e drones, e a Arábia Saudita também foi alvo de ataques, incluindo um oleoduto estratégico. Diante da escalada, os Emirados pediram esclarecimentos urgentes sobre os termos do cessar-fogo, alertando para o risco de prolongamento da instabilidade regional.
Incerteza nos EUA e protestos
Nos Estados Unidos, há falta de clareza sobre o alcance do acordo. De acordo com a Al Jazeera, divergências internas no governo indicam confusão sobre o que foi efetivamente negociado, especialmente em relação à inclusão do Líbano.
Enquanto autoridades como JD Vance reiteram que o país não faz parte do cessar-fogo, manifestações contra a guerra ganharam força. Centenas de pessoas protestaram na Times Square, em Nova York, pedindo o fim das operações militares e dos bombardeios no Líbano.
Israel mantém agressividade
Apesar do cessar-fogo com o Irã, Israel sinaliza que pode retomar as operações. Em pronunciamento, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou: “Deixe-me ser claro: ainda temos objetivos a cumprir e os alcançaremos, seja por meio de um acordo ou por meio da retomada dos combates”.
Luto e impactos no Líbano
O Líbano decretou luto nacional, com fechamento de instituições e bandeiras a meio mastro. O primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani, e o presidente francês classificaram os ataques como “dolorosos” e ressaltaram a urgência de proteger civis e conter a violência.
No Iraque, autoridades também informaram a prisão de suspeitos ligados a um ataque com drone próximo a Erbil, que matou um militar francês integrante da coalizão internacional contra o Estado Islâmico.
O cenário evidencia a fragilidade do cessar-fogo e o risco de ampliação do conflito em múltiplas frentes no Oriente Médio, com impactos humanitários e geopolíticos crescentes.


