'O pobre vai pagar pela irresponsabilidade das guerras', reclama Lula
Presidente Lula critica impactos globais de conflitos armados
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (18) que a população mais vulnerável será a principal afetada pelas consequências de conflitos internacionais, ao criticar decisões unilaterais de grandes potências e defender o fortalecimento do multilateralismo. Durante discurso em Barcelona, ele alertou para os impactos econômicos das guerras e cobrou maior atuação das instituições globais.
As declarações foram feitas na 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, onde Lula abordou temas como governança internacional, desigualdade e o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) diante do aumento de tensões no mundo.
Ao comentar os efeitos diretos dos conflitos sobre a economia global, o presidente destacou o impacto sobre países em desenvolvimento. “O Trump invade o Irã e aumenta [o preço do] feijão no Brasil, o milho no México, a gasolina em outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, afirmou.
Lula criticou o que classificou como decisões unilaterais tomadas por líderes internacionais sem consulta à ONU. Segundo ele, esse tipo de ação enfraquece o sistema multilateral e amplia a instabilidade global. “Nenhum presidente de nenhum país, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”, disse.
O presidente também ressaltou que o mundo vive um momento de intensificação de conflitos armados. Para ele, a ausência de respostas efetivas das instituições internacionais agrava o cenário. “Esse é o momento da história de maior quantidade de conflitos armados no mundo depois da Segunda Guerra”, declarou.
Durante o discurso, Lula voltou a defender reformas no Conselho de Segurança da ONU, com ampliação da representatividade e revisão do funcionamento do órgão. Ele criticou o direito de veto e a falta de participação direta dos chefes de Estado nas decisões.
Lula também alertou para o avanço do extremismo e a necessidade de fortalecer instituições democráticas. Ao abordar a desigualdade global, destacou que milhões de pessoas ainda enfrentam fome, falta de acesso à educação e energia, enquanto recursos são destinados a conflitos armados.
Ao final, o presidente reforçou que a solução para os desafios globais passa pelo diálogo internacional e pela cooperação entre países. Segundo ele, o fortalecimento do multilateralismo é essencial para evitar o agravamento das crises e garantir respostas mais eficazes às demandas da população mundial.


